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Mostrando postagens de Julho, 2017

O VENTO SOBRE AS ÁGUAS

Guardo as palavras, assim desejo. O que falo é repertório econômico.
Observando tudo que não fala na minha língua, descubro os obscuros idiomas da vida. Por exemplo, o intervalo de uma hora específica, seu correr leve, as coisas engendradadas, tudo que meu coração disto captura. Quando o vento passa sobre as águas, escuto as palavras que não sei dizer.

│Poema da Série “Palavra” – Autor: Webston Moura│

CAVALO

Eu te amo. Meu corpo sobe à palavra e transborda. Mas, meu corpo é matéria, quer transgressão. E transgressão é uma palavra-cavalo. Eu te amo, então, com todos os cavalos. As palavras, pois, quando te amo, diluem-se em arfares, gemidos e relinchos.

│Poema da Série “Palavra” – Autor: Webston Moura│

TEUS NOMES

Perdi-te, palavra, nome de mulher, que as cartas rasguei. Dei de perder-te, por necessitar. Quebrei os discos do Roberto Carlos e chorei o que pude num último choro.
Deixaste-me, ainda, um dicionário de arcanas pronúncias, palavras as quais não sei desmontar, tampouco dar uso.

│Poema da Série “Palavra” – Autor: Webston Moura│

VIDAS DESAMARRADAS

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Tânia Du Bois é cronista. Como tal, aparenta ser capaz de falar sobre qualquer assunto, tal é a facilidade de compreensão e de comunicação que se pode observar em seus textos. Todos podemos ver isso em “Amantes nas Entrelinhas”, "Exercício das Vozes”, “Autópsia do Invisível”, "Arte em Movimento", "Comércio de Ilusões", “O Eco dos Objetos” e, agora, neste “Vidas Desamarradas” (Projeto Passo Fundo, 2017). Leitora e observadora sagaz, segue o que não seria uma fórmula, mas um caminho, o de investigar, gentil, inteligente e honestamente, as escritas de outros, para então, apreciando-as, dizer suas (dela) impressões que, inevitavelmente, situam-se na interface literatura (ficção)-vida real. Tânia escreve bem e, ao que parece, em favor do que em nós clama por luz e entendimento.
SERVIÇO: Vidas Desamarradas (Crônicas) Tânia Du Bois Projeto Passo Fundo [Link: http://www.projetopassofundo.com.br/]

ESCREVIVÊNCIAS: LIVRO DE VIDAS IMAGINOGRAFADAS

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Escrevivências: livro de vidas imaginografadas é de autoria de Dércio Braúna e Joel Neto. Impresso sobre papel couchê fosco (miolo), tem capa dura e une imagens (por conta de Joel) e poemas nelas inspirados (por conta de Dércio). Trata-se de um trabalho de profunda sensibilidade sobre o cotidiano de pessoas simples do povo, pessoas “capturadas” em instantes que o fotógrafo e o poeta fazem aparecer aos nossos olhos (à nossa sensibilidade) de forma magnífica. O projeto foi contemplado no X EDITAL CEARÁ DE INCENTIVO ÀS ARTES 2015 (SECULT/CE) e realizado neste ano de 2017.
SERVIÇO: Escrevivências: livro de vidas imaginografadas Joel Neto e Dércio Braúna Deleatur Editorial Contatos: derciobrauna@bol.com.br joelnetor7@gmail.com

AGULHA REVISTA DE CULTURA #99 │ JUNHO DE 2017

Saiu a edição 99 da Agulha Revista de Cultura. O link geral é este: http://arcagulharevistadecultura.blogspot.com.br/2017/07/agulha-revista-de-cultura-99-junho-de.html.

TODOS OS INDÍCIOS

Medo, porque tudo conspira para tanto;                e horizonte outro não há senão                               este olhar em espreita,                                      este gesto contido,                                 este fechar de portas,                                      tantas precauções.
Medo, porque a vida anda a requerer ciência exímia, toda a técnica com que nos alertamos contra os males.
Dormir, sonhar, ter medo ainda aí. Acordar instigado, as mãos trêmulas ─ um barulho no telhado, serão os gatos?, um crucifixo na parede, o silêncio de pedra  ─, todos os indícios de que algo está suspenso no escuro.
Lá fora, o carnaubal geme.

│Poema da Série “Medo” – Autor: Webston Moura│

ESTRANHOS

Vigiamo-nos. Nada mais é natural. No perde-e-ganha, jogo insosso e agudo, sofremos. E, sós, não imaginamos saídas. Tocamo-nos, mas com a cisma de um estrangeiro                                 adentrado a uma terra estranha.
Nossas casas ─ lares não mais ─ guardam o torpor dos nossos corpos.
E o tempo escorre sua toda aridez no nosso sangue.

│Poema da Série “Medo” – Autor: Webston Moura│

AQUELE CÃO

Ao pé do portão, aquele cão de cismada figura a dormir. Quem sabe o que lhe passa ao coração?
Se me ponho de pé até com os móveis, não seria, pois, minha a cisma?
Não lembro outro tempo que não seja este, o do temor. Meu corpo adquiriu esse saber e o sabe com a mais fina destreza.
Aquele cão.

│Poema da Série “Medo” – Autor: Webston Moura│