segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Enquanto Ouvia Djavan



Untitled - Kenzo Okada




Ouvia Djavan, bebia, tinha o olhar perdido
e não parecia querer companhia.
Se chorava, não deu pra ver direito,
mas é possível quando se bebe e se escuta Djavan.
Mas, também, àquela hora, o sol se pondo,
tons laranjas no horizonte, brisa leve,
riso e melancolia em redor, como não?
Faltava o que? Um cão, só, a chegar ao pé, com fome?
Pois chegou. E ganhou um pouco de comida, alegrando-se.
É assim! Quando se sofre, bom é dar-se, ainda que para um cão.
Levantou-se, devagar, seguiu para o mar, os pés nus na areia.

Não voltou.


│Autor: Webston Moura│



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Webston Moura
, administrador deste blog, é Tecnólogo de Frutos Tropicais, poeta e cronista. Natural do Ceará, Brasil, mora no município de Russas, na região do Vale do Jaguaribe. Aprendiz de Teosofia, segue a Loja Independente de Teosofistas - LIT. Tem apreço por silêncio, música, artes plásticas, bichos e plantas. É também administrador dos blogs O Caderno Livre e Só Um Transeunte.
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