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terça-feira, 2 de dezembro de 2025

A Estranha Xícara



Portrait and a Dream (1953)
- Jackson Pollock



Eu seu poema "Cerâmica", Carlos Drummond de Andrade nos diz:

"Os cacos da vida, colados, formam uma estranha xícara.

 Sem uso,
 ela nos espia do aparador."

Os cacos da vida porque a vida é isso. Ainda que saibamos da possibilidade - utópica? - da inteireza, temos só os cacos nas mãos. E, por certo, viver, que é saber viver, é compreender melhor a administração destes cacos que somos e que são as coisas em redor. A estranha xícara nos chama ao desafio.

Mas como a xícara remendada, sem uso, nos espia do aparador?




|Autor: Webston Moura|

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Webston Moura
, administrador deste blog, é Tecnólogo de Frutos Tropicais, poeta e cronista. Natural do Ceará, Brasil, mora no município de Russas, na região do Vale do Jaguaribe. Aprendiz de Teosofia, segue a Loja Independente de Teosofistas - LIT. Tem apreço por silêncio, música, artes plásticas, bichos e plantas. É também administrador dos blogs O Caderno Livre e Só Um Transeunte.
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A Beleza Antiga






Eu acho que de vestido ou saia as mulheres ficam mais bonitas. Claro: as que já são naturalmente bonitas ou não tão feias, essas, sim, ficam. Mas não digo isso com a intenção de palpitar sobre como uma mulher deva ou não se vestir. Hoje, um palpite desses é capaz de gerar uma discussão apaixonada, com direito a algum xingamento por parte das possíveis ofendidas.

Vejo na internet imagens antigas, lá de décadas passadas do século XX. Há mulheres com roupas tipicamente femininas, todas muito elegantes, finas, ainda que algumas vistam roupas simples mesmo. Era como as pessoas viam as coisas, a partir do que consideravam certo e errado, bonito e feio, possível e impossível. Eram os padrões. Padrões que, na distância do tempo, observando especialmente fotos dos anos 1930 e 1940, a mim me dão certo prazer. Prazer em contemplar a graciosidade daquelas mulheres e suas roupas muito bonitas.

A Abelha



Long Melons - Qi Baishi



Só,
a abelha vaga
em busca de algo.

Estrangeira,
vem de onde desconheço.

É de outra forma:
vê o que não vejo
e sabe o que não sei.

Só,
astuta e sem malícia,
a abelha vaga no mesmo mundo que eu,
embora não.




|Autor: Webston Moura|

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Tudo é Vão



Untitled (1976)
- Chu Teh-Chun



Quem nunca mudou o mundo?
Bêbado na madrugada antiga,
                quem não foi rei?

Antes, se soubesse,
teria aprendido a cozinhar,
que é útil.

Dirás de tua ira,
agora soberba e espumosa,
como se isso durasse a eternidade.
Mas saberás, certamente, que toda esta trança
há de se desfazer, como teu rosto sob rugas,
cada uma nascendo, naturalmente, a seu tempo,
sem a tua permissão.

Tudo é vão.
Até este poema.

Mas não fiques triste.
Ou fiques.
Crescemos mais à sombra que à luz.



|Autor: Webston Moura|

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domingo, 30 de novembro de 2025

Os Sons da Cozinha



The Kitchen (c.1898)
- Carl Larsson



Os sons da cozinha são dos que mais nos acostumamos a ter como nossos, íntimos. Falo da cozinha de casa. E não precisamos ser parte integrante, não precisamos ser exatamente aqueles que operam a cozinha. Da cozinha vêm as nossas refeições, diárias refeições. É a usina chefiada pelas nossas mães, quando ainda as temos, é um lugar de alquimia.

Mas não só os sons, já que os cheiros é que acabam chamando mais a atenção. Entretanto, quero destaca os sons.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Brutos Silêncios



Silêncio (1900) - Odilon Redon



Pessoas (ditas) importantes viram nome de rua. Andamos por aí e nos deparamos com um bocado deles. As placas, geralmente antigas, exibem os nomes. Nós os lemos, mas, em geral, nosso interesse é apenas de nos localizarmos, não estamos interessados mesmo em saber sobre os donos dos nomes.

Paro a pensar nisso e vejo ali o nome inscrito, silencioso, grafia bem riscada que reduz tudo o que foi aquela pessoa ao registro, uma anotação fria. Tenho a impressão de que o silêncio que aquele nome me dá é uma criptografia, um segredo que tenho que desvendar. Em seguida, deixo isso de lado, pois sei que estou apenas imaginando, ficcionando a situação.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

O Exercício da Humildade



O Peixe e a Lua - Mordecai Ardon



Caminhando pela rua com Nina, uma cachorrinha que há aqui em casa, a última de três, avistei adiante um urubu no chão. Rápido, ele me pareceu catar algo. Em seguida, levantou voo e passou por cima de mim, quando olhei e vi que ele tinha ao bico uma lagartixa, sua refeição daquele momento, obviamente.

Como no caso anterior, já vi em vídeo outros animais sendo devorados vivos. São vídeos feitos na África, aonde os safáris de passeio acontecem e as pessoas podem filmar a vida animal, incluindo aí os predadores em ação pegando suas presas e as comendo vivas.

sábado, 22 de novembro de 2025

É Legítimo Chorar



Uma estrada holandesa (1880)
- Anton Mauve



Não chore!, dizem-nos. Isto ouvimos, aqui e ali, mas mais na infância. É como se chorar fosse uma fragilidade, uma covardia ou algo pior. Porque, como dizem os (supostamente) fortes, quem chora é o fraco. Mas choramos. Uns mais, outros menos. Com sorte, choramos, digo eu.

O choro é algo que não cabe muito na interpretação da razão. É o transbordamento de algo que não tem outra saída em nós, a não ser ir para fora, expulso em lágrimas e outros gestos.

Como nós, vemos que há animais que também choram. Ou parecem chorar. Se é assim, é porque também sentem.

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Violeta



Barcas no Loing, efeito matinal (1904)
- Francisco Picabia



Agora que o deserto ficou maior,
                   o sol a tudo come:
as distâncias se repetem,
tudo é vasto e espaçoso.

Há um grande ócio na luz
e uma espera chorada no vento.

Nenhum nome, nenhuma palavra,
nenhuma qualquer neblina.

Uma garça, só, de azul raro,
voa de longe e desce, elegantemente, à beira do lago,
aonde nada evolui movimento, espelho suave de água quieta.

Antes, porém, uma música,
música que por muito tempo se ouviu ecoar
vinda de algum remoto lugar, mas inteira, clara e completa:
                                                                    Iolanda.




|Autor: Webston Moura|

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segunda-feira, 17 de novembro de 2025

A Folha Seca






A folha seca me aparece na rua, o vento a leva e a deposita a um canto perto do meio-fio. É como outras que por aí se vão, pequenas coisas sem importância no atarefado mundo humano.

Observo-a. Matéria biológica, vida orgânica, ela está se decompondo. Separada da planta, perdeu seu verde e sua intenção de ser. Mas, ainda assim, segue seu destino de ir até ao fim e servir de alimento para o reino geral da natureza.

domingo, 16 de novembro de 2025

Fim de Ano






Novembro, penúltimo mês do ano. O tempo voou neste 2025. Tenho essa impressão. Mas gosto da ideia de fechar um ciclo e iniciar outro. E gosto também desse período de fim de ano, tempo de festas.

Sempre me lembro da infância quando o ano se vai terminando. Sou nostálgico e "piorei" muito de uns tempos pra cá. Lembro-me de coisas agradáveis, minha família ainda inteira, as pessoas passando na rua, a noite, o fervor do movimento, visitas, risos, imagens que hoje me dão a mistura de alegria e tristeza.

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

A Estrada Sem Nome Aonde Cruzamos O Silêncio



Untitled - Lin Fengmian



Paro e vejo.
Respiro enquanto olho.
Absorvo, dou tempo
e mergulho.

                 Atravesso o cansaço,
                 a dor e o desânimo.

Prossigo,
dia a dia.

Encontro três pássaros pousados,
imagem que me abduz
na harmonia do traço e da cor.

São o antônimo da mão fechada
e são de graça, como as três garças
e a estrada sem nome aonde cruzamos o silêncio.


|Autor: Webston Moura|

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Na Contracorrente



Pôr do sol no inverno. Uma costa do mar (1890)
- Arkhyp Kuindzhi




Longe de todo torpor,
o deserto, que é de muitas formas.
Como este sol se pondo,
o mar abaixo, nalgum lugar possível
e mágico, se assim se pode.

Escuto, a contragosto, o mundo em redor,
a cidade alegre e cega, máquina que se recria,
incessantemente, da qual me retirei o quanto pude.

Vejo o labirinto dos desejos
que muito se cultiva.
E penso que não há muitas palavras novas
para dizer do excesso de tudo.

Longe de todo torpor,
olho este sol se pondo,
e, ainda que digam não,


|Autor: Webston Moura|

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