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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

A Excessiva Preocupação Com a Própria Imagem



O Constrangimento (1914) - Francis Picabia



Moro numa avenida, que é uma via com duas mãos, uma de ir, outra de vir, e um canteiro separando as duas. Como todo mundo que aqui moro, coloco os sacos de lixo no canteiro, aonde o carro da coleta pega e leva. E isso acontece não apenas nesta avenida em que moro, mas noutras.

Ocorre que, há tempos, moradores de ruas adjacentes vêm com seu lixo e jogam no canteiro desta avenida em que moro. Os educados fazem assim, pois os piores jogam até na rua mesmo. Evitam, então, colocar os sacos defronte sua casas, aonde certamente o carro da coleta também os recolheria.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Errar é Humano



Untitled (1984) - Gerwald Rockenschaub



Não gostamos de estar errados, pois significa que fomos incapazes de enxergar o certo. O peso esta nesta palavra "incapazes". Mas atrás disso está a ilusão de que poderíamos viver sem cometer erros.

Cobramos de nós mesmos, cobramos dos outros e, dependendo de como nos encaremos e encaremos as coisas, podemos atravessar uma vida inteira sem modificarmos essa visão e essa atitude, condenando-nos e condenando aos outros à pressão, ao nervosismo e, em certos casos, à agressividade, à humilhação.

domingo, 20 de setembro de 2026

Nossos Personagens



Number 7 (1953) - Bradley Walker Tomlin



Somos muitos, cada um. No tempo, somos a transformação de tipos que, colocados uns diante dos outros, se assim pudéssemos realizar, os estranharíamos.

A criança que fomos, em diferentes fases, realizou seu caminho. O adolescente, idem. Já adultos, vamos da novidade da juventude, com o furor que lhe é próprio, à idade madura e, enfim, à chamada terceira idade.

sábado, 19 de setembro de 2026

O Cão Que Vaga Pelas Ruas





Passa um cão pela rua, o sol sobre seu corpo magro o faz desprotegido. É como muitos, só um transeunte que tenta sobreviver, um ser que vive mesmo nas ruas ou, de outro modo, que escapou de casa, deu uma fugidinha e deixou seu dono (ou dona) preocupado(a).

Observo-o e, como sempre, tenho vontade de lhe prestar cuidados, dar-lhe água, comida, atenção. Mas nem sempre posso, obviamente. São muitos os cães de rua e eu não tenho poderes para cuidar de todos.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Os 55 Anos do Álbum "Imagine" de John Lennon



John Lennon (1940-1980)




"Como posso ir em frente quando não sei
Que caminho estou encarando?"
[John Lennon, em "How?" ("Como?"), do disco Imagine]


Em 9 de setembro de 1971, John Lennon lançava seu álbum "Imagine", cujo título é o mesmo da música que ali se tornaria a mais comentada. Imagine! Imagine um mundo novo, bom e possível. Em suma, uma mensagem que hoje soa ingênua, mas que, tomada com a força dos que sonham, será sempre atual e necessária, afinal, se necessitamos e queremos um mundo melhor, haveremos de imaginá-lo com as cores e formas dos nossos sonhos.

Raul Seixas Eterno



Raul Seixas (1945-1989)


No último 21 de agosto completaram-se 37 anos da partida de Raul Seixas. Ele se foi naquele longínquo ano de 1989, ano de eleições presidenciais, ano movimentado.

Por conta da data, acabei vendo na internet vídeos, depoimentos, mensagens e textos sobre Raul. Ouvindo suas músicas, senti nostalgia de quando era jovem e, ali, descobria aquela novidade toda. Não sou propriamente da geração que conheceu Raul de início, mas que, ao longo do tempo (anos 1980), o recebeu e gostou, tornando-se raulseixista.

Viagem de Ônibus



Paisagem - Aldemir Martins



Quando criança gostava de viajar de ônibus. Para as crianças, um ônibus era algo realmente especial. E a viagem era uma das aventuras possíveis. Sair de onde se vivia, pegar a estrada, gastar o tempo olhando a paisagem até chegar ao destino, outro lugar, desconhecido e, por isso mesmo, atraente. Assim era. Até porque as vezes em que isso podia ocorrer não eram muitas.

Quem haveria de conduzir a criança a tão fantástica missão? A mãe. Tomar pelo braço, vestir uma roupa, arrumar o que levar, tomar a rua até o lugar de pegar o ônibus, esperar um pouco e, enfim, adentrar o gigante veículo, poderoso, único. Seguir pelo corredor até tomar assento entre outros passageiros, a maioria ou quase todos desconhecidos. Mas, pelas caras e roupas, gente como a gente. Estávamos entre amigos.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

As Formiguinhas Pretas



Ant (1943) - Maurits Cornelis Escher



Elas aparecem, de repente. Pequeninas e rápidas. As formiguinhas pretas. Dizem que sua aparição significa a antecipação das chuvas. Eu acredito, pois percebo outros sinais. A natureza tem seus mistérios.

Eu me animo a fazer uma pergunta e faço. Consulto o Google: "Quantas formigas há no mundo?". A resposta da Al Overview, a IA, diz: "Número total: Aproximadamente 20 quatrilhões (20.000.000.000.000.000 de indivíduos)". Nossa! São muitas. Não sei como calculam isso, mas fico com a resposta.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Eu Sou Brasileiro



Flores (1971) - Aldemir Martins



Disseram-me, depois, que era tolice. Disseram-me que era ingenuidade. Mas eu, até hoje, discordo.

Somos brasileiros. Isto aprendemos desde cedo. As lições vêm de diferentes direções. Formal e informalmente, aprendemos. Ainda que a maioria de nós não seja muito capaz de explicar com palavras o que é ser brasileiro, será capaz de expressar suficiente sentimento e características que informarão sobre quem somos. E isto bastará.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

A Beleza Antiga






Eu acho que de vestido ou saia as mulheres ficam mais bonitas. Claro: as que já são naturalmente bonitas ou não tão feias, essas, sim, ficam. Mas não digo isso com a intenção de palpitar sobre como uma mulher deva ou não se vestir. Hoje, um palpite desses é capaz de gerar uma discussão apaixonada, com direito a algum xingamento por parte das possíveis ofendidas.

Vejo na internet imagens antigas, lá de décadas passadas do século XX. Há mulheres com roupas tipicamente femininas, todas muito elegantes, finas, ainda que algumas vistam roupas simples mesmo. Era como as pessoas viam as coisas, a partir do que consideravam certo e errado, bonito e feio, possível e impossível. Eram os padrões. Padrões que, na distância do tempo, observando especialmente fotos dos anos 1930 e 1940, a mim me dão certo prazer. Prazer em contemplar a graciosidade daquelas mulheres e suas roupas muito bonitas.

domingo, 30 de novembro de 2025

Os Sons da Cozinha



The Kitchen (c.1898)
- Carl Larsson



Os sons da cozinha são dos que mais nos acostumamos a ter como nossos, íntimos. Falo da cozinha de casa. E não precisamos ser parte integrante, não precisamos ser exatamente aqueles que operam a cozinha. Da cozinha vêm as nossas refeições, diárias refeições. É a usina chefiada pelas nossas mães, quando ainda as temos, é um lugar de alquimia.

Mas não só os sons, já que os cheiros é que acabam chamando mais a atenção. Entretanto, quero destaca os sons.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Brutos Silêncios



Silêncio (1900) - Odilon Redon



Pessoas (ditas) importantes viram nome de rua. Andamos por aí e nos deparamos com um bocado deles. As placas, geralmente antigas, exibem os nomes. Nós os lemos, mas, em geral, nosso interesse é apenas de nos localizarmos, não estamos interessados mesmo em saber sobre os donos dos nomes.

Paro a pensar nisso e vejo ali o nome inscrito, silencioso, grafia bem riscada que reduz tudo o que foi aquela pessoa ao registro, uma anotação fria. Tenho a impressão de que o silêncio que aquele nome me dá é uma criptografia, um segredo que tenho que desvendar. Em seguida, deixo isso de lado, pois sei que estou apenas imaginando, ficcionando a situação.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

O Exercício da Humildade



O Peixe e a Lua - Mordecai Ardon



Caminhando pela rua com Nina, uma cachorrinha que há aqui em casa, a última de três, avistei adiante um urubu no chão. Rápido, ele me pareceu catar algo. Em seguida, levantou voo e passou por cima de mim, quando olhei e vi que ele tinha ao bico uma lagartixa, sua refeição daquele momento, obviamente.

Como no caso anterior, já vi em vídeo outros animais sendo devorados vivos. São vídeos feitos na África, aonde os safáris de passeio acontecem e as pessoas podem filmar a vida animal, incluindo aí os predadores em ação pegando suas presas e as comendo vivas.

sábado, 22 de novembro de 2025

É Legítimo Chorar



Uma estrada holandesa (1880)
- Anton Mauve



Não chore!, dizem-nos. Isto ouvimos, aqui e ali, mas mais na infância. É como se chorar fosse uma fragilidade, uma covardia ou algo pior. Porque, como dizem os (supostamente) fortes, quem chora é o fraco. Mas choramos. Uns mais, outros menos. Com sorte, choramos, digo eu.

O choro é algo que não cabe muito na interpretação da razão. É o transbordamento de algo que não tem outra saída em nós, a não ser ir para fora, expulso em lágrimas e outros gestos.

Como nós, vemos que há animais que também choram. Ou parecem chorar. Se é assim, é porque também sentem.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

A Folha Seca






A folha seca me aparece na rua, o vento a leva e a deposita a um canto perto do meio-fio. É como outras que por aí se vão, pequenas coisas sem importância no atarefado mundo humano.

Observo-a. Matéria biológica, vida orgânica, ela está se decompondo. Separada da planta, perdeu seu verde e sua intenção de ser. Mas, ainda assim, segue seu destino de ir até ao fim e servir de alimento para o reino geral da natureza.

domingo, 16 de novembro de 2025

Fim de Ano






Novembro, penúltimo mês do ano. O tempo voou neste 2025. Tenho essa impressão. Mas gosto da ideia de fechar um ciclo e iniciar outro. E gosto também desse período de fim de ano, tempo de festas.

Sempre me lembro da infância quando o ano se vai terminando. Sou nostálgico e "piorei" muito de uns tempos pra cá. Lembro-me de coisas agradáveis, minha família ainda inteira, as pessoas passando na rua, a noite, o fervor do movimento, visitas, risos, imagens que hoje me dão a mistura de alegria e tristeza.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Boas Festas!




Nativity of Christ (1523)
- Lorenzo Lotto



Acho que eu tinha uns quatro anos de idade. Minha família morava na zona rural. Em certa noite, deram de me vestir uma calça marrom, de botões, e me puseram também uma camisa. Fiquei todo formal. Sapatos, claro, que naquela época as crianças usavam sapatinhos marrons de cadarços. E aí fomos de carro até a cidade para a casa de minha avó materna.

Para mim, era uma mistura de novidade e tumulto. Por que me retiraram de meu quieto mundo, à noite, para uma viagem à cidade?

domingo, 22 de dezembro de 2024

Envelhecer



Old Man in Warnemunde (1907)
- Edvard Munch



Você está ficando velho, diz alguém. É como se dissesse que você está ficando fraco e falho. Não seria mais certo dizer que, com a idade - o tempo -, você está ficando maduro?

Numa sociedade aonde e pujança é reduzida ao vigor físico, à aparência, envelhecer é perder a credibilidade.

Deve ser assim mesmo?

Envelhecer é ganhar o jogo, afinal a vida tem sua dureza, e ir adiante, avançar anos, é superar obstáculos. Para tanto, virtude e luta, além, obviamente, de condições dignas.

Envelhecer não á apenas enrugar-se e andar mais devagar, mas olhar mais devagar, como quem exerce atenção e compaixão, nobrezas do ser humano.

Nenhuma fase é intrinsecamente ruim ou triste, tampouco deve ser vista como estranha. Em nós, nos bichos, nas árvores, nas rochas, aonde for, envelhecer é bom e precisa ser dito assim, para que nos humanizemos.

Ah, mas eu não queria! Sim, há em nós um sabor de eternidade e juventude que gostaríamos que fosse já aqui nesta vida. Mas não é assim. A natureza tem sua própria maneira de fazer as coisas, não nos cabendo roubar-lhe o protagonismo. Sejamos humildes!

E sejamos felizes tanto quanto pacientes e sábios.



|Autor: Webston Moura|

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Webston Moura
, administrador deste blog, é Tecnólogo de Frutos Tropicais, poeta e cronista. Natural do Ceará, Brasil, mora no município de Russas, na região do Vale do Jaguaribe. Aprendiz de Teosofia, segue a Loja Independente de Teosofistas - LIT. Tem apreço por silêncio, música, artes plásticas, bichos e plantas. É também administrador dos blogs O Caderno Livre e Só Um Transeunte.
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domingo, 29 de setembro de 2024

Nosso Espaço Interior e os Desejos




Espaços Interiores (1989) - Charles Bezie



Em geral, pensamos que o nosso interior é apenas o espaço dos desejos, que ele só produz isso, além de alguma dor. E que, satisfazendo-os, nós nos realizamos. Porém, o que mais experimentamos, a vida inteira, é a frustração diante das tantas tentativas que encontram pela frente obstáculos intransponíveis. Alguns desejos encontram seu caminho e seu objetivo, chegando à realização. A maioria, não.

Assim sendo, se considerarmos que o máximo de nós são os desejos, teremos de concordar com a verdade de que somos imensamente falhos, como um projeto que, desde o início, existe para dar errado mesmo afinal o enredo de ilusões e quedas é tal que até parece que somos um tipo de ser que não funciona. Concorda?

sábado, 28 de setembro de 2024

Nós e a Política





Muito se gasta nas campanhas eleitorais. Mas, a bem da verdade, o meio político é, o tempo inteiro, uma orgia de dinheiro pra lá e pra cá. Orgia que alegra, enlouquecidamente, aos participantes, comumente homens.

O que geralmente dizem, sobre se importarem com as pessoas, isso é apenas o jogo de cena que a política oficial requer. É uma farsa, um teatro. E todos sabemos disso há tempos. E também sabemos que, em qualquer época, o poder tem disso: uma luta rica, cheia de recursos materiais e ambição desmedida, aonde egos se digladiam, para ver quem vence. A realidade que se dane.