domingo, 31 de julho de 2022

["parece tarde, mas o tempo"], de Lília Tavares






parece tarde, mas o tempo
parou nas palmas das minhas mãos.
levaste a brisa, as asas de um sorriso,
a cumplicidade do silêncio que se quebra.
sei que a noite chega apesar
de a não sentir na raíz e nos aromas
pois de ternuras encheste o meu corpo
e deixei de sentir o ardor do frio.
mais uma vez sou ave inquieta,
onda de sal encrespada,
vento sem rumo que atravessa
a solidão destas paredes.
quando chegares, traz de volta o fôlego
que me tiraste, a tua pele,
palavra e poros,
e arrepia-se mais e mais o novelo
arredondado do desejo.


[LÍLIA TAVARES, in POEMÁRIO 2015 (Pastelaria Studios Ed, nov 2014)]

Dia 20 de Julho

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Pastel s/ papel: Tenderness, ©Patricia Hannaway
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