sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Chuva em Yabakei



Rain at Yabakei - Goyo Hashiguchi



Aonde nunca se esteve,
é sempre o desconhecido.
Surge um nome, uma imagem,
um som, alguém - e ali o estalo:
a estranheza de uma lembrança
que, de fato, não se tem.
                    Sonha-se.

Como a chuva daquele dia,
antigo dia, sobre Yabakei,
havida para os olhos de quem a pintou
e a sentiu diretamente no corpo.



[Autor: Webston Moura]






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Webston Moura
, administrador deste blog, é Tecnólogo de Frutos Tropicais, poeta e cronista. Natural do Ceará, Brasil, mora no município de Russas, na região do Vale do Jaguaribe. Aprendiz de Teosofia, segue a Loja Independente de Teosofistas - LIT. Tem apreço por silêncio, música, artes plásticas, bichos e plantas. É também administrador dos blogs O Caderno Livre e Só Um Transeunte.
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GROUS AZUIS



Cranes - Huang Yongyu







São pássaros
ou o que se possa ver.
Guardada a imagem,
fecha-se os olhos
e busca-se o que resta:
nuvens pesadas de um fevereiro,
o gato só no apartamento,
a samambaia alegre no quintal,
o corpo da donzela dançando.

Dizem que nos alucinamos,
mas isso não importa.

Contentes, o limite é sempre
aonde se possa ir, sem se perder tanto




[Autor: Webston Moura]






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ALGUNS TEXTOS SOBRE TEOSOFIA: O Símbolo do Movimento Teosófico, Não Há Religião Mais Elevada Que a Verdade,  70 Itens Para Uma Vida Natural, O Que é Teosofia?, A Prática do Estudo Teosófico, A Arte de Estudar Teosofia, A Arte de Fazer Anotações, A Leitura Torna o Homem Perfeito, A Arte de Ler, A Biblioteca da Alma, A Necessidade de Reconstruir a Si Próprio, A Pedagogia do Autoconhecimento, Os Mestres e o Futuro da Humanidade A Pedagogia Teosófica, Aprendendo a Aprender, O Perfil da Loja Independente,  Examinando Sete Perguntas, A Força Magnética dos Livros, As Quatro Proteções do Guerreiro, A Arte da Simplicidade, A Arte de Julgar Pessoas, A Doutrina Secreta, O Que é um Teosofista?, Os Andes e o Futuro, O Ser Absoluto e o Progresso Infinito, A Lei do Carma e a Compaixão, Convivendo Com as Imperfeições, Autoimagem e Autoconhecimento, A Firmeza de Propósito, A Lei da Dificuldade, A Metafísica é a Alma do Progresso, A Sabedoria de O.S. Marden, A Teosofia É Uma Religião?, A Vontade de Avançar, O Poder de Mudar o Mundo, O Que é um Teosofista?, A Filosofia do Aikidô, A Psicologia do Saber Teosófico, Os Ciclos dos Hábitos, Os Mestres e o Discipulado. 
ALGUMAS PÁGINAS E GRUPOS: Ser Atento, Loja Independente de Teosofistas, Carlos Cardoso Aveline, Filosofia Esotérica, A Doutrina Secreta, Arte e Teosofia, Visconde de Figanière, Teosofia Original no Nordeste, Portugal Teosófico, E-Theosophy, Amazônia Teosófica, Independent Lodge of Theosophists, Logia Independiente de Teósofos, Théosophie et Philosophie, Theosophy and Art, La Sabiduría Andina, Teosofía en Español, Theosophy and Future, Ecoteosofia, The Aquarian Theosophist, Theosophy Online.

domingo, 6 de fevereiro de 2022

DA PÁGINA "ARTE E TEOSOFIA"








Ao “esquecer” o mundo pequeno e estreito das preocupações pessoais, o peregrino “lembra” de coisas mais valiosas, e o eu inferior começa a trabalhar com eficiência por um propósito elevado.

(Carlos Cardoso Aveline)
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Do texto "Ideias ao Longo do Caminho - 36": https://www.carloscardosoaveline.com/ideias-ao-longo-do-caminho-36/

Imagem: pintura de Petar Meseldžija

* Extraído da página Arte e Teosofia, da Loja Independente de Teosofistas - LIT: https://www.facebook.com/ArteTeosofia



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"O MAINSTREAM ESTÁ MORTO"



Guilherme Arantes




A nossa televisão mudou dramaticamente ao longo do tempo.

Eu ligo a TV hoje em dia e percebo o grau a que se chegou com o passar de tantas décadas, especialmente no Brasil.

Rodo e rodo o "dial" e me deparo com um deserto, uma paleta inacreditável de canais inúteis para o meu gosto.

Na Espanha eu também sofria esse tédio, e eu me abrigava nos canais provínciais, em concertos e programas musicais do "baixo clero de audiência", porque a profusão de "realities" e outros caca-niqueis também na Europa é 100% enfadonha. . .

Os personagens desse veículo, salvo honrosas exceções, (sempre há exceções para tudo) são caricaturas histriônicas, a vida parece que se tornou um desenho animado sem a menor graça.
Muitos admiradores da gente vêm nas redes nos cobrar mais presença, nos pedem para "voltarmos" à antiga notoriedade, e vêm cobrar insistentemente "da mídia" maior espaço e reconhecimento para a gente, e eu juro que não consigo compreender o que essas cobranças querem dizer, por mais carinhosas e bem intencionadas que sejam. Sei que este assunto é chover no molhado, todo mundo sabe o colapso da "cultura de massa" ...

As "redes sociais" também não escapam da mesmice, com tecnologias mais e mais sofisticadas, em altas definições para nulidades culturais...

Houve um tempo, que já vai longe, em que a TV estava operando de forma incipiente como indústria cultural, era um novo e desconhecido veículo de massas, e pelo preço do aparelho, me lembro bem, eu era criança, aquela jeringonça frequentava as casas de família mais abastadas...

Lembro que a bossa-nova foi um dos primeiros movimentos que fluíram em branco e preto, nas telas que ainda exibiam o frame-padrão do índio (quem lembra ?)

A seguir, a TV herdaria do rádio as novelas e os musicais de auditório.
As novelas se beneficiariam do fértil Teatro Brasileiro, de autores, diretores e atores fantásticos, aderindo à indústria cultural com grande carga de qualidade.
Deu no que deu, a teledramaturgia brasileira foi a melhor do mundo !

A primeira geração musical 100% nativa da chegada da TV no Brasil foi a geração da Elis, Jair Rodrigues, Roberto Carlos , Chico, Gil, Caetano, e a TV passaria a um protagonismo culto com o envolvimento de jornalistas culturais oriundos do colunismo da Última Hora, do JB, dos grandes jornais formadores de opinião.

Esse ambiente daquela época (anos 60) é absolutamente peculiar e irrecriável...
Até mesmo nos círculos intelectuais, acadêmicos, a Televisão gozava do prestígio de teses, de debates, de fundamentações teóricas.

Já nos anos 70, no pós-68, a indústria cultural ganharia novos impulsos comerciais com a consolidação das redes nacionais, e a nossa geração pode usufruir de uma proliferação dos espaços populares voltados à música.

Penso mesmo que fomos privilegiados, porque vivemos nos anos 80 numa plataforma híbrida, entre cultura e comércio de massas, porém ainda "analógica", anterior à revolução digital. A revolução digital apunhalou a industria cultural em suas práticas convencionais. A partir das possibilidades da digitalização, vejam bem, a cópia se tornou o novo fundamento num mundo sampleado.

( Hoje, tudo aquilo da era analógica parece um passado irrecuperável, eternamente congelado nos HDs da "Matrix")
A cultura de massa dos anos 90 e 2000 seguiu bovinamente o processo tecnológico da clonagem, democratizando os meios, inventando e beneficiando cada vez mais os personagens que logram mais audiência e retorno imediatista.
Chegamos então a este mar de personagens caricatos que povoam todos os espaços "comercialmente viáveis".
A "Matrix" venceu.
Orwell.

O espaço é exíguo, hoje, senão inexistente, para o surgimento de novas gerações de ouro, despojadas, naturais e sem ouro-nos-pendurucalhos, como foram aquelas que fizeram os tempos gloriosos da cultura popular legítima, espontânea, transformadora e duradoura.

Hoje, tudo é 100% visual, volátil, e até mesmo músicas de um minuto estão na mira das grandes corporações.
Que mundo é este ?

O que é isto que nos é oferecido na grade da TV aberta, e, pior, nas grades das TVs a cabo ? Uma lixeira ?
Tempos sombrios de uma maçaroca cultural nos grandes veículos.
Vida que segue, "pelas beiradas",pelos espaços alternativos.
O Mainstream está morto.

* Texto de Guilherme Arantes, o cantor, em seu perfil no Facebook:









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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

[PARA SER GRANDE, SÊ INTEIRO]







Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

14-2-1933

* Fotografia de © michal karcz

ODES DE RICARDO REIS. FERNANDO PESSOA. (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994). (1ª publ. in Presença, nº 37. Coimbra: Fev. 1933).





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