quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Outra Vez Eleições






Nasci durante a ditadura militar e nela vivi até o seu fim, em 1985. Para mim, como a maioria, especialmente os que viviam no interior, o clima era de normalidade. Eu explico: em geral, as pessoas não tinham outras perspectivas e a maioria não se interessava mesmo pelos assuntos políticos, excetuando-se o período das campanhas locais, aonde candidatos a prefeito e vereador apareciam. Assim sendo, as pessoas nem sabiam que estavam numa ditadura.

Vivo, então, na democracia representativa, dito um melhor regime, já que podemos escolher livremente quem nos governa, o que informa que participamos e, assim, manifestamos, como sociedade, algum poder de escolha.

No momento, estamos vivenciando outro período de campanhas eleitorais, aonde, ao que se vê, pouca novidade aparece. Há a reedição do embate entre a direita bolsonarista e a esquerda petista, com Flávio e Lula disputando o direito aos próximos quatro anos da presidência. E nos estados, candidatos a governador, senador e deputados (federais e estaduais), com a participação dos prefeitos e outras lideranças.

Tudo isso é bom? Bem, há coisas piores, como não ter a possibilidade disso. Mas se me perguntam se a democracia, no nível em que se encontra, é satisfatória, digo que não. E é isso que eu gostaria que fosse mais do interesse dos agentes políticos. Fala-se na democracia, fala-se na sua defesa, fala-se que ela está ameaçada, mas, no fim das contas, não há uma busca por melhorá-la. E aqui ressalto que essa tarefa não seria simplesmente dos políticos, mas de todos.

Dada a maneira como a maioria das pessoas vê a política, digo que minha preocupação aqui soa até ingênua. As mais "pragmáticas" costumam dizer que o que está aí é assim mesmo e nunca há de mudar. Mas penso que um país pode evoluir nos seus diferentes aspectos, seja a educação, a economia, a cultura ou a política, a governança.

Penso que somos, nós, o povo brasileiro, já bastante descrente e desconfiado em relação a mudanças profundas, especialmente se imaginadas como boas. Já somos como somos há tanto tempo, que fica difícil imaginarmos algo realmente melhor. Como sociedade, nossa imagem nos é negativa, ao menos em certos aspectos. E isso dificulta uma autoestima que acredite na mudança.

Para mim, as eleições de agora são, sim, decisivas, pois colocam em disputa dois candidatos com diferenças marcantes. Mas ainda assim não há novidade e ruptura que no se vê, o que demonstra certa mesmice. Assim sendo, digo que minhas esperanças de mudanças reais continuarão em regime de espera. E esperar, parece-me, é o destino amargo de nós brasileiros. Fazer o que? Ter paciência.


|Autor: Webston Moura|

.................................................
Leia outros posts:


.....................................................................
Webston Moura
, administrador deste blog, é Tecnólogo de Frutos Tropicais, poeta e cronista. Natural do Ceará, Brasil, mora no município de Russas, na região do Vale do Jaguaribe. Aprendiz de Teosofia, segue a Loja Independente de Teosofistas - LIT. Tem apreço por silêncio, música, artes plásticas, bichos e plantas. É também administrador dos blogs O Caderno Livre e Só Um Transeunte.
..............................................................................


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Caso queira, comente!