Senhor,
sei que
bem não nos vemos,
apesar do
trajeto comum,
esta rua
nossa descalça de pavimento,
este nosso
conviver cego, silencioso,
diria mesmo
alienado
– eu do
senhor e o senhor de mim
e nós,
suponho a vós também, do mais
que poderíamos
ser nesta vida.
A
dureza nos toma, sabemos,
a sina
de pagar por tudo
a outros
senhores que nos querem
apenas braços,
votos, disciplina
e docilidade
escrava, coisas amansadas
que
somos, vozes amiudadas.
Senhor,
Rogo-vos
nada mais
que a
escuta a este lamento!
E se
tiverdes um, também o escutarei.
Quem sabe,
canção se faça entre nós,
ao menos
para não nos doermos sós,
tão
sós, ensimesmados de medo.
Repara
no cão,
abandonado
bicho!
Cata
aqui e ali.
Algures
consegue água,
um pouco
de comida
e até a
atenção dalguma alma caridosa.
Aquele cão repleto de ausências,
quem é senão nós?
│Autor:
Webston Moura│