quarta-feira, 11 de outubro de 2023

BIOGRAFIA DA CHUVA




Haystack under a Rainy Sky (1890) - Vincent van Gogh






A chuva é uma noiva
com seu vestido de renda
bordado de vagalumes.

Semeia o ar de acalantos
vai contemplar as lavouras
de legumes e relâmpagos.

Vagueia pelos caminhos
para escutar os arrulhos
das núpcias dos passarinhos.

Planta flores nas estacas
transforma em leite a paisagem
na memória das vacas.

Vai ao celeiro de espigas
polir o ouro do milho
nas entranhas das formigas.

Deita-se a chuva na cama
e logo começa a arder
a relva de quem se ama.

A chuva é mais importante
do que todos os encantos
da Beatriz de Dante.



|Autor: Francisco Carvalho
|Poema constante da página 20 de "Centauros Urbanos", 2003, copyright by Francisco Carvalho
|Imagem: Haystack under a Rainy Sky (1890) - Vincent van Gogh


Francisco Carvalho
[Russas-CE, Brasil - 1927-2013]| Poeta, ocupou a cadeira 31 da Academia Cearense de Letras - ACL. Ex-funcionário da Universidade Federal do Ceará - UFC. Ganhador do Prêmio Nestlê de Literatura Brasileira, em 1982, com o livro Quadrante Solar. Com Girassóis de Barro, de 1997, ganhou o Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional. Autor dos Livros: Cristal da Memória (1955); Canção Atrás da Esfinge (1956); Do Girassol e da Nuvem (1960); O Tempo e aos Amantes (1966); Dimensão das Coisas (1967); Memorial de Orfeu (1969); Os Mortos Azuis (1971); Pastoral dos Dias Maduros (1977); Rosas dos Eventos (1982); Quadrante Solar (1982); As Visões do Corpo (1984); Barca dos Sentidos (1989); Rosa Geométrica (1990); Exercícios de Literatura (1990); O Tecedor e sua Trama (1992); Crônica das Raízes (1992); Flauta de Barro (1993); Galope de Pégaso (1994); Sonata dos Punhais (1994); Artefatos de Areia (1995); Textos e Contextos (1995); Rosas dos Minutos (1996); Raízes da Voz (1996); Os Exílios do Homem (1997); Girassóis de Barro (1997); Romance da Nuvem Pássaro (1998); A Concha e o Rumor (2000); O silêncio é uma Figura Geométrica (2002); Centauros Urbanos (2003); Memórias do Espantalho (2004); Corvos de Alumínio (2007); Mortos Não Jogam Xadrez (2008). O cantor, compositor cearense Raimundo Fagner, em seu disco "Os Donos do Brasil", musicou os poemas "O Bicho Homem", "Esse Touro Vale Ouro", "Cesta Básica" e "Reino/Minueto da Porta". O falecido teatrólogo Antonio Abujamra recitou, algumas vezes, em seus "Provocações" (TV Cultura), poemas de Francisco Carvalho (vide busca no Google e no Youtube). A página do poeta no Jornal de Poesia, do Soares Feitosa, encontra "aqui". No website Alguma Poesia também há publicados poemas seus "aqui". Assim como no portal do Antonio Miranda "aqui". A página do poeta na Academia Cearense de Letras está "aqui".



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Webston Moura
, administrador deste blog, é Tecnólogo de Frutos Tropicais, poeta e cronista. Natural do Ceará, Brasil, mora no município de Russas, na região do Vale do Jaguaribe. Aprendiz de Teosofia, segue a Loja Independente de Teosofistas - LIT. Tem apreço por silêncio, música, artes plásticas, bichos e plantas. É também administrador dos blogs O Caderno Livre e Só Um Transeunte.
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ODE À ÁRVORE



The large tree (1889) - Paul Gauguin



Deusa vegetal
de copro límpido.
Madre das raízes
matriz das matrizes.
Árvore, medusa
de cabelos verdes.
Ó noiva morganática
do sonhos dos relâmpagos.
Catedral do vento
e das liturgias da paz.
Pátria dos pássaros
pórtico de ouro
do solar do crepúsculo.
Senda de murmúrios
sem segredo, de
palpitações em surdina.
Guardiã dos córregos
e dos veios da vida.
Pastora da montanha
e da fecundidade.



|Autor: Francisco Carvalho
|Poema constante da página 20 de "Galope de Pégaso", 1994, copyright by Francisco Carvalho
|Imagem: The large tree (1889) - Paul Gauguin
|Leia também deste autor: "Minibiografia" e "Lições de Eternidade"



Francisco Carvalho
[Russas-CE, Brasil - 1927-2013]| Poeta, ocupou a cadeira 31 da Academia Cearense de Letras - ACL. Ex-funcionário da Universidade Federal do Ceará - UFC. Ganhador do Prêmio Nestlê de Literatura Brasileira, em 1982, com o livro Quadrante Solar. Com Girassóis de Barro, de 1997, ganhou o Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional. Autor dos Livros: Cristal da Memória (1955); Canção Atrás da Esfinge (1956); Do Girassol e da Nuvem (1960); O Tempo e aos Amantes (1966); Dimensão das Coisas (1967); Memorial de Orfeu (1969); Os Mortos Azuis (1971); Pastoral dos Dias Maduros (1977); Rosas dos Eventos (1982); Quadrante Solar (1982); As Visões do Corpo (1984); Barca dos Sentidos (1989); Rosa Geométrica (1990); Exercícios de Literatura (1990); O Tecedor e sua Trama (1992); Crônica das Raízes (1992); Flauta de Barro (1993); Galope de Pégaso (1994); Sonata dos Punhais (1994); Artefatos de Areia (1995); Textos e Contextos (1995); Rosas dos Minutos (1996); Raízes da Voz (1996); Os Exílios do Homem (1997); Girassóis de Barro (1997); Romance da Nuvem Pássaro (1998); A Concha e o Rumor (2000); O silêncio é uma Figura Geométrica (2002); Centauros Urbanos (2003); Memórias do Espantalho (2004); Corvos de Alumínio (2007); Mortos Não Jogam Xadrez (2008). O cantor, compositor cearense Raimundo Fagner, em seu disco "Os Donos do Brasil", musicou os poemas "O Bicho Homem", "Esse Touro Vale Ouro", "Cesta Básica" e "Reino/Minueto da Porta". O falecido teatrólogo Antonio Abujamra recitou, algumas vezes, em seus "Provocações" (TV Cultura), poemas de Francisco Carvalho (vide busca no Google e no Youtube). A página do poeta no Jornal de Poesia, do Soares Feitosa, encontra "aqui". No website Alguma Poesia também há publicados poemas seus "aqui". Assim como no portal do Antonio Miranda "aqui". A página do poeta na Academia Cearense de Letras está "aqui".


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Webston Moura
, administrador deste blog, é Tecnólogo de Frutos Tropicais, poeta e cronista. Natural do Ceará, Brasil, mora no município de Russas, na região do Vale do Jaguaribe. Aprendiz de Teosofia, segue a Loja Independente de Teosofistas - LIT. Tem apreço por silêncio, música, artes plásticas, bichos e plantas. É também administrador dos blogs O Caderno Livre e Só Um Transeunte.
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LIÇÕES DE ETERNIDADE



Untitled - Grace Pailthorpe





Rãs de papos amarelos
mastigam coisas e insetos
entre amplexos e reflexos.

Comem os ovos dos astros
dançam de pernas abertas
sobre folhagens aquáticas.

Na água desenham círculos.
Seus movimentos parecem
certos brinquedos de acrílico.

Algumas vezes, algumas
de repente se enamoram
pelos olhos dos cardumes.

Pensam que a lua é uma esfera
habitada pelas rãs
desde o começo das eras.

Sob o veludo da noite
as rãs e seus namorados
dão lições de eternidade.



|Autor: Francisco Carvalho
|Poema constante da página 20 de "Corvos de Alumínio", 2007, copyright by Francisco Carvalho
|Imagem: Untitled - Grace Pailthorpe
|Leia também deste autor: "Minibiografia"




Francisco Carvalho
[Russas-CE, Brasil - 1927-2013]| Poeta, ocupou a cadeira 31 da Academia Cearense de Letras - ACL. Ex-funcionário da Universidade Federal do Ceará - UFC. Ganhador do Prêmio Nestlê de Literatura Brasileira, em 1982, com o livro Quadrante Solar. Com Girassóis de Barro, de 1997, ganhou o Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional. Autor dos Livros: Cristal da Memória (1955); Canção Atrás da Esfinge (1956); Do Girassol e da Nuvem (1960); O Tempo e aos Amantes (1966); Dimensão das Coisas (1967); Memorial de Orfeu (1969); Os Mortos Azuis (1971); Pastoral dos Dias Maduros (1977); Rosas dos Eventos (1982); Quadrante Solar (1982); As Visões do Corpo (1984); Barca dos Sentidos (1989); Rosa Geométrica (1990); Exercícios de Literatura (1990); O Tecedor e sua Trama (1992); Crônica das Raízes (1992); Flauta de Barro (1993); Galope de Pégaso (1994); Sonata dos Punhais (1994); Artefatos de Areia (1995); Textos e Contextos (1995); Rosas dos Minutos (1996); Raízes da Voz (1996); Os Exílios do Homem (1997); Girassóis de Barro (1997); Romance da Nuvem Pássaro (1998); A Concha e o Rumor (2000); O silêncio é uma Figura Geométrica (2002); Centauros Urbanos (2003); Memórias do Espantalho (2004); Corvos de Alumínio (2007); Mortos Não Jogam Xadrez (2008). O cantor, compositor cearense Raimundo Fagner, em seu disco "Os Donos do Brasil", musicou os poemas "O Bicho Homem", "Esse Touro Vale Ouro", "Cesta Básica" e "Reino/Minueto da Porta". O falecido teatrólogo Antonio Abujamra recitou, algumas vezes, em seus "Provocações" (TV Cultura), poemas de Francisco Carvalho (vide busca no Google e no Youtube). A página do poeta no Jornal de Poesia, do Soares Feitosa, encontra "aqui". No website Alguma Poesia também há publicados poemas seus "aqui". Assim como no portal do Antonio Miranda "aqui". A página do poeta na Academia Cearense de Letras está "aqui".



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Webston Moura
, administrador deste blog, é Tecnólogo de Frutos Tropicais, poeta e cronista. Natural do Ceará, Brasil, mora no município de Russas, na região do Vale do Jaguaribe. Aprendiz de Teosofia, segue a Loja Independente de Teosofistas - LIT. Tem apreço por silêncio, música, artes plásticas, bichos e plantas. É também administrador dos blogs O Caderno Livre e Só Um Transeunte.
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terça-feira, 10 de outubro de 2023

MINIBIOGRAFIA



Untitled (1966) - Philip Guston



Não sou moderno
também não sou antigo.
Sou o mendigo que trapaceia
por trás do postigo.

Sou o que penso
e jamais o que digo.
Aprendo nas ruas
que o inferno é estar vivo.

Melhor morrer no asfalto
do que ter inimigo
ter um barraco na favela
do que ter um jazigo
com versos de Petrarca no
mármore antigo.

Às vezes trago
metáforas de trigo.
Meus versos não servem para nada.
Ser poeta é como ter
o corpo vitimado pelo vitiligo.


|Autor: Francisco Carvalho
|Poema constante da página 15 de "A Concha e o Rumor", 2000, copyright by Francisco Carvalho
|Imagem: Untitled (1966) - Philip Guston



Francisco Carvalho
[Russas-CE, Brasil - 1927-2013]| Poeta, ocupou a cadeira 31 da Academia Cearense de Letras - ACL. Ex-funcionário da Universidade Federal do Ceará - UFC. Ganhador do Prêmio Nestlê de Literatura Brasileira, em 1982, com o livro Quadrante Solar. Com Girassóis de Barro, de 1997, ganhou o Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional. Autor dos Livros: Cristal da Memória (1955); Canção Atrás da Esfinge (1956); Do Girassol e da Nuvem (1960); O Tempo e aos Amantes (1966); Dimensão das Coisas (1967); Memorial de Orfeu (1969); Os Mortos Azuis (1971); Pastoral dos Dias Maduros (1977); Rosas dos Eventos (1982); Quadrante Solar (1982); As Visões do Corpo (1984); Barca dos Sentidos (1989); Rosa Geométrica (1990); Exercícios de Literatura (1990); O Tecedor e sua Trama (1992); Crônica das Raízes (1992); Flauta de Barro (1993); Galope de Pégaso (1994); Sonata dos Punhais (1994); Artefatos de Areia (1995); Textos e Contextos (1995); Rosas dos Minutos (1996); Raízes da Voz (1996); Os Exílios do Homem (1997); Girassóis de Barro (1997); Romance da Nuvem Pássaro (1998); A Concha e o Rumor (2000); O silêncio é uma Figura Geométrica (2002); Centauros Urbanos (2003); Memórias do Espantalho (2004); Corvos de Alumínio (2007); Mortos Não Jogam Xadrez (2008). O cantor, compositor cearense Raimundo Fagner, em seu disco "Os Donos do Brasil", musicou os poemas "O Bicho Homem", "Esse Touro Vale Ouro", "Cesta Básica" e "Reino/Minueto da Porta". O falecido teatrólogo Antonio Abujamra recitou, algumas vezes, em seus "Provocações" (TV Cultura), poemas de Francisco Carvalho (vide busca no Google e no Youtube). A página do poeta no Jornal de Poesia, do Soares Feitosa, encontra "aqui". No website Alguma Poesia também há publicados poemas seus "aqui". Assim como no portal do Antonio Miranda "aqui". A página do poeta na Academia Cearense de Letras está "aqui".



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Webston Moura
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segunda-feira, 25 de setembro de 2023

NÉVOA DA MANHÃ



Morning Mist (1986) - Eyind Earle



Névoa da manhã,
início do dia,
lugar vazio
onde a luz é criança.

Percorro a rua:
um cão, só, atravessa
e some, parece faminto.
Um velho, de bicicleta, arrasta
sua respiração sobre o asfalto,
falta-lhe a força para mais precisão.

Garças voam,
o céu é alto,
o sol inda é parco.

O orvalho,
seus restos,
sustenta,
ainda,
a noite
ida.



|Autor: Webston Moura|


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Leia outros poemas do autor:




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