terça-feira, 25 de novembro de 2025

Brutos Silêncios



Silêncio (1900) - Odilon Redon



Pessoas (ditas) importantes viram nome de rua. Andamos por aí e nos deparamos com um bocado deles. As placas, geralmente antigas, exibem os nomes. Nós os lemos, mas, em geral, nosso interesse é apenas de nos localizarmos, não estamos interessados mesmo em saber sobre os donos dos nomes.

Paro a pensar nisso e vejo ali o nome inscrito, silencioso, grafia bem riscada que reduz tudo o que foi aquela pessoa ao registro, uma anotação fria. Tenho a impressão de que o silêncio que aquele nome me dá é uma criptografia, um segredo que tenho que desvendar. Em seguida, deixo isso de lado, pois sei que estou apenas imaginando, ficcionando a situação.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

O Exercício da Humildade



O Peixe e a Lua - Mordecai Ardon



Caminhando pela rua com Nina, uma cachorrinha que há aqui em casa, a última de três, avistei adiante um urubu no chão. Rápido, ele me pareceu catar algo. Em seguida, levantou voo e passou por cima de mim, quando olhei e vi que ele tinha ao bico uma lagartixa, sua refeição daquele momento, obviamente.

Como no caso anterior, já vi em vídeo outros animais sendo devorados vivos. São vídeos feitos na África, aonde os safáris de passeio acontecem e as pessoas podem filmar a vida animal, incluindo aí os predadores em ação pegando suas presas e as comendo vivas.

sábado, 22 de novembro de 2025

É Legítimo Chorar



Uma estrada holandesa (1880)
- Anton Mauve



Não chore!, dizem-nos. Isto ouvimos, aqui e ali, mas mais na infância. É como se chorar fosse uma fragilidade, uma covardia ou algo pior. Porque, como dizem os (supostamente) fortes, quem chora é o fraco. Mas choramos. Uns mais, outros menos. Com sorte, choramos, digo eu.

O choro é algo que não cabe muito na interpretação da razão. É o transbordamento de algo que não tem outra saída em nós, a não ser ir para fora, expulso em lágrimas e outros gestos.

Como nós, vemos que há animais que também choram. Ou parecem chorar. Se é assim, é porque também sentem.

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Violeta



Barcas no Loing, efeito matinal (1904)
- Francisco Picabia



Agora que o deserto ficou maior,
                   o sol a tudo come:
as distâncias se repetem,
tudo é vasto e espaçoso.

Há um grande ócio na luz
e uma espera chorada no vento.

Nenhum nome, nenhuma palavra,
nenhuma qualquer neblina.

Uma garça, só, de azul raro,
voa de longe e desce, elegantemente, à beira do lago,
aonde nada evolui movimento, espelho suave de água quieta.

Antes, porém, uma música,
música que por muito tempo se ouviu ecoar
vinda de algum remoto lugar, mas inteira, clara e completa:
                                                                    Iolanda.




|Autor: Webston Moura|

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Webston Moura
, administrador deste blog, é Tecnólogo de Frutos Tropicais, poeta e cronista. Natural do Ceará, Brasil, mora no município de Russas, na região do Vale do Jaguaribe. Aprendiz de Teosofia, segue a Loja Independente de Teosofistas - LIT. Tem apreço por silêncio, música, artes plásticas, bichos e plantas. É também administrador dos blogs O Caderno Livre e Só Um Transeunte.
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segunda-feira, 17 de novembro de 2025

A Folha Seca






A folha seca me aparece na rua, o vento a leva e a deposita a um canto perto do meio-fio. É como outras que por aí se vão, pequenas coisas sem importância no atarefado mundo humano.

Observo-a. Matéria biológica, vida orgânica, ela está se decompondo. Separada da planta, perdeu seu verde e sua intenção de ser. Mas, ainda assim, segue seu destino de ir até ao fim e servir de alimento para o reino geral da natureza.