Moro numa avenida, que é uma via com duas mãos, uma de ir, outra de vir, e um canteiro separando as duas. Como todo mundo que aqui moro, coloco os sacos de lixo no canteiro, aonde o carro da coleta pega e leva. E isso acontece não apenas nesta avenida em que moro, mas noutras.
Ocorre que, há tempos, moradores de ruas adjacentes vêm com seu lixo e jogam no canteiro desta avenida em que moro. Os educados fazem assim, pois os piores jogam até na rua mesmo. Evitam, então, colocar os sacos defronte sua casas, aonde certamente o carro da coleta também os recolheria.
Por que fazem isso?
Porque pega mal os outros saberem que eles produzem lixo. E os sacos ali em frente de suas casas sinalizaria isso. Ou seja, é um problema de imagem.
Hoje, a preocupação com a própria imagem atingiu níveis doentios. Vejo gente pobre que faz de tudo para passar uma imagem de materialmente próspera, como se fosse possível enganar aos outros. Ademais, pobreza é condição sócio-econômica, não é pecado ou falha de caráter. Mas para muito pobre de hoje a sua situação é uma vergonha moral, pois gera a imagem indesejada.
Do mesmo modo vemos aquelas pessoas que nos conhecem fora das redes sociais, mas fingem não nos conhecer no ambiente virtual, pois pegaria mal para elas serem vistas conosco.
Com o que se incomodam?
Com a opinião dos outros, com aceitação e reprovação.
Alguma preocupação com isso faz parte da vida. Porém, do jeito que hoje está... é delicado. É como o caso de quem vai ao açougue (aqui chamamos mercado público mesmo) e diz: "Me dê 250g de pé de galinha. É para meu cachorro". Só que o cachorro talvez seja o último a comer os pezinhos, afinal aquilo ali é para a própria pessoa comer, dá uma canja supimpa. Mas imagine se ela quer que os outros saibam que ela come pé de galinha!
Há outros exemplos, mas não é necessário listá-los.
Não comento essas coisas com raiva, mas com espanto. O espanto de ver que o ser humano se repete em padrões que deveria superar. Enquanto isso continuarei vendo as pessoas jogando lixo aqui na avenida em que moro. A "sorte" é que o caminhão da coleta recolhe. Ainda bem! Não fosse assim, haveria muito lixo por aqui.
|Autor: Webston Moura|
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Webston Moura, administrador deste blog, é Tecnólogo de Frutos Tropicais, poeta e cronista. Natural do Ceará, Brasil, mora no município de Russas, na região do Vale do Jaguaribe. Aprendiz de Teosofia, segue a Loja Independente de Teosofistas - LIT. Tem apreço por silêncio, música, artes plásticas, bichos e plantas. É também administrador dos blogs O Caderno Livre e Só Um Transeunte.
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