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terça-feira, 14 de janeiro de 2020

O MAMOEIRO MORTO


Com um facão cortei o mamoeiro morto.
Saiu, abrupta, de seu caule oco, uma água,
estranha água aquela, esbranquiçada,
resto de seiva perdida,
que a terra haveria de sorver.

Eu tinha doze anos e um carneiro branco:
as coisas decadentes não cabiam em meu mundo.
Por isso, a imagem última do mamoeiro me amedrontou,
ao passo que também me comoveu não poder tomá-lo nas mãos
e sarar alguma ferida sua, trazê-lo de volta ao verde.

Estranho dizer, talvez, mas o mamoeiro, aquele, ainda que árvore,
era meu amigo, como o carneiro que, adiante, eu também perderia.



│Poema da Série “Árvores” – Autor: Webston Moura│


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