AO SOM DE UMA SALSA

Quase não suporta a bolsa;
falta-lhe a respiração.
Pouco antes de virar a esquina,
o taxi some, surge um letreiro.
Que importa. Vamos a pé mesmo.
O filme é interrompido neste ponto.
Avisam, lá de fora, que a luz caiu na cidade inteira.
Você não gostaria de tomar uns drinques?
Amanhã tenho que ir à cidade vizinha.
Mas quem resiste a tão comovente convite.
A luz voltou. A loja de miudezas parece uma feira.

Pipocas, bolas, negros meninos sorridentes nas calçadas.
Um carro dos anos 50 ─ Estamos em Havana?
Recomeça a cantarolar a salsa, dança na calçada.
Um policial observa e sorri, distrai-se.

Sua pele parece algodão.
Já está quase na hora de ir para casa.
Me gusta mucho Mongo Santamaría.
No entendí.
Sorrimos.
Começa a neblinar, suavemente.


│Poema da Série “Incidentes” – Autor: Webston Moura│

Comentários

OS 10 POSTS MAIS VISITADOS DOS ÚLTIMOS 30 DIAS

ÁGUAS SOB O SOL

MUTIRÃO #3

MÚSICA PARA FUGIR DO CAOS

O VENTO SOBRE AS ÁGUAS

RECESSO

POEMAS DE LEONAM CUNHA

TEUS NOMES

CAVALO

ESCREVIVÊNCIAS: LIVRO DE VIDAS IMAGINOGRAFADAS

ESTRANHOS