PULSEIRA E ESCAPULÁRIO

Lílian: nome interno à pulseira.
Enrolado nela um escapulário.
Levou a bolsa; o ônibus é rápido.
Não havia ninguém neste ponto.
E tudo isso é um acaso.

A pressa produz infortúnios desses
às moças de pulseiras e escapulários,
moças que pegam ônibus e não sabem da maquinaria dos acasos.

Com isto às mãos, é como desbravar um mistério.
Advinha-lo, seria mais certo dizer.
De posse disso, sou o personagem de um romance policial,
aquele que vai descobrir Lílian e salvá-la das mãos dos facínoras.
Sua pulseira e seu escapulário são, na verdade,
disfarces de algo maior.
(Minha intuição nunca falha).

Mas, a bem da verdade,
lembro-me de que tudo
é apenas um acaso
e que eu mesmo,
como Lílian e seus objetos,
sou mais uma coisa perdida na cidade,
esta fábrica incessante de possibilidades,
inclusive acasos muito bem orquestrados em pontos de ônibus.


│Poema da Série “Objetos Perdidos” - Autor: Webston Moura│

Comentários