A PEDRA

O corpo passou; a pedra, não.
E como pode este homem ainda a levar?

É que a pedra é sua reza inarredável,
sua insubmissa amante, a que lhe come a carne.

A casa mudou, enrugou-se;
a oiticica, defronte, deita seus velhos galhos;
o silêncio ocupa as imagens rotas nos retratos;
e este homem, velho, ainda a carregar a pedra,
uma amada irresolução, uma porta bem aferrolhada.

É seu coração, que de todo não é só pedra,
mas que da pedra, esta que fere, muito vive,
sofre, teima, ilude-se e, por fim, há de morrer.


│Poema da Série “Tempo e Vida” – Autor: Webston Moura│

Comentários