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ARQUITRAVE - REVISTA COLOMBIANA DE POESIA

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Arquitrave – Revista Colombiana de Poesia, nº 66 https://issuu.com/arquitrave/docs/arquitrave66web Website: http://www.arquitrave.com/

CONSUMAÇÃO

Somos tempo. Estamos na combustão, na consumação do que chamamos de vida,                                                       nossas vidas, esta matéria da qual geralmente pouco sabemos. Nela, o tempo não se sobressai de fora para dentro, mas explode mesmo do centro em diante.
Somos tempo, ao lado de estrelas, plantas e pedras.

│Autor: Webston Moura│

SERTÃO

Os pés-d’água, onde, se a poeira é tudo? A terra seca, extrema, nos consome. Devagar, uma carroça se arrasta; os bois, magros, gastam-se no aberto.
Com as pedras, nossa comunhão de enfadonha aridez se completa.
Sertão.

│Autor: Webston Moura│

VIAJANDO NA MADRUGADA

Você quer paz (galos levantados para o sol), mas há uma intensidade estranha pelo quarto.
Você se veste e vai à rua. Tenta encontrar o âmbar daquelas retinas. (Vagando, a solidão é este cão ao tornozelo, torneira pingando sua reza faminta). Olhos-nenhuns te visitam.
Você não tem saída: é um dia sem porto. Há, ainda, de dormir, caso queira ─ e para não sucumbir ao lodo final ─, enovelado ao céu gratuito da inteira noite,                         viajando, viajando, viajando.

I am on a lonely road and I am traveling, traveling, traveling, traveling Looking for something, what can it be?
─ Joni Mitchell, in All I want, álbum “Blue” (1971)


│Autor: Webston Moura│

ÁVIDA FLAMA INCESSANTE

Quer correr, indefinidamente, apenas correr, como se o mar pudesse, por sobre as águas, velozes pés, anjo de fogo, riscar o azul, cortar ventos e ir-se para Áfricas e Ásias, golfinho e foguete, ácido, leve, pesado, pleno, só, total, inconcluso,                                                                          pessoa.
Quer correr dentro da seiva contraditória da vida.

│Autor: Webston Moura│

ÚLTIMO GRITO CONTRA A ESCURIDÃO

Fala-se muito. E há muitos fogos. Carros assomam às ruas. Sequer é dia especial.
Fala-se muito. Há muitas queixas e pouca solução.
No vozerio, um homem, só, desata sua última canção e sequer risca a parede.
A moça, de vermelho, passa. Parece feliz, com seu andar resolvido e leve. Não vê o homem. Ninguém o vê. As vozes não permitem, o barulho não permite, a pressa não permite.
Há um mundo a se viver,
sem este homem, claro,
este que desata seu último grito contra a escuridão.

│Autor: Webston Moura│

CATILINA

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Eu sou o solitário e nunca minto. Rasguei toda a vaidade tira a tira
E caminho sem medo e sem mentira
À luz crepuscular do meu instinto.
De tudo desligado, livre sinto Cada coisa vibrar como uma lira,
Eu - coisa sem nome em que respira
Toda a inquietação dum deus extinto.
Sou a seta lançada em pleno espaço E tenho de cumprir o meu impulso,
Sou aquele que venho e logo passo.
E o coração batendo no meu pulso Despedaçou a forma do meu braço
Pra além do nó de angústia mais convulso.


│Autora: Sophia de Mello Breyner Andresen│
- O poema e a gravura foram retirados da página “Quem Lê Sophia de Mello Breyner Andresen - https://www.facebook.com/quem.le.sophia.de.mello.breyner.andresen

RUÍNAS

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Se é sempre Outono o rir das primaveras,
Castelos, um a um, deixa-os cair...
Que a vida é um constante derruir
De palácios do Reino das Quimeras!
E deixa sobre as ruínas crescer heras. Deixa-as beijar as pedras e florir! Que a vida é um contínuo destruir De palácios do Reino de Quimeras!
Deixa tombar meus rútilos castelos! Tenho ainda mais sonhos para erguê-los
Mais altos do que as águias pelo ar!
Sonhos que tombam! Derrocada louca! São como os beijos duma linda boca!
Sonhos!... Deixa-os tombar... deixa-os tombar...

│Autora: Florbela Espanca│
- O presente poema e a gravura que o acompanha foram retirados da página “Quem Lê Sophia de Mello Breyner Andresen" - https://www.facebook.com/quem.le.sophia.de.mello.breyner.andresen

MUTIRÃO #3

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O projeto do Livro Mutirão nasceu da vontade de reunir amigos em torno de uma produção que desse espaço a múltiplas linguagens, somando a diversidade e singularidade dos indivíduos à ideia de unidade do conjunto. Somam-se, assim, as palavras às imagens: são poemas, poemas visuais, prosa, prosemas, fotografias, desenhos, colagens, canções e o que mais convier – com-vier.
No dia 01 de setembro de 2017, sexta-feira, às 19 horas, no Espaço O POVO de Cultura e Arte, Av. Aguanambi, 282, será lançada a edição 3 do Mutirão, que conta com a participação dos seguintes autores: André Dias - Bárbara Costa Ribeiro - Brennand de Sousa - Cláudio Araripe - Carlos Nóbrega - Carlos Vazconcelos - Deribaldo Santos - Ellis Mário Pereira - Francisco de Almeida - Henrique Beltrão - Jarbas Oliveira - Lia leite - Liciany Rodrigues - Luis Marcos - O Poeta de Meia-Tigela - Ralphe Alves - Raymundo Netto - Rosanni Guerra - Suellen Lima - Webston Moura.
A ilustração da capa é de Francisco de Almeida e o encarte - um…

ÁGUAS SOB O SOL

Dou-me ao silêncio e o percorro. Não digo do barco, devagar, cortando as águas; apenas o vejo frente ao horizonte, sol por toda parte.
Dá-me receio estas ágoras em desespero. Por isso, este silêncio que me percorre, horizontes em demasia, águas sob o sol.

│Poema da Série “Silêncio” – Autor: Webston Moura│

MÚSICA PARA FUGIR DO CAOS

Enquanto lê. Enquanto prepara o café. Enquanto arruma o quarto. Enquanto se banha. Enquanto esquece o tempo.
Esta música da repleta cor de rouxinóis livres.

│Poema da Série “Silêncio” – Autor: Webston Moura│

RECESSO

Se não meus olhos, a textura da milha pele. Meu corpo mesmo (esse vai-e-vem de tronco-e-membros) parece querer gritar. Minha boca, contudo, nada diz.
São dias e dias, desertos cultivados com carinho, amor e aflição preparados na mesma receita.

│Poema da Série “Silêncio” – Autor: Webston Moura│

SOMBRAS E SOBRIEDADE

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Eu sombreei aquele dia E eram contornos cinzentos Numa moldura, eu diria, vazia. Se estas linhas não têm sentido Digo-lhes que não me isento.
Porque se os contornos são cinzentos, Eu também reitero: eles são frios. E a frialdade de cada ser é enigma intangível E só a entende ele próprio.
Naquele dia sombrio, No entanto, fiquei um pouco sóbrio. Não foi ópio, mas não tolheu euforias Ao relento, vislumbrei um sorriso.
Como se no vento pairasse E a mim chegasse, Sombreei de amarelo-vida Meus sóis de felicidade.

│Autor: Magno Catão – Livro “Convalescente”;  Sarau das Letras, 2017│

MUTIRÃO 3ª EDIÇÃO

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MUTIRÃO 3 – ANTOLOGIA ORGANIZADA POR ALVES DE AQUINO, O POETA DE MEIA TIGELA.

Para conhecer as outras duas, visite os seguintes links:Mutirão 1 – https://issuu.com/opoetademeia-tigela/docs/mutiraoMutirão 2 - https://issuu.com/opoetademeia-tigela/docs/mutir__o_2._poeta_dmt______________

O TREM

JORNAL O TREM ITABIRANO Itabira-MG – Julho de 2017jornalotremitabirano10@gmail.comLINK "AQUI"_____________________

O VENTO SOBRE AS ÁGUAS

Guardo as palavras, assim desejo. O que falo é repertório econômico.
Observando tudo que não fala na minha língua, descubro os obscuros idiomas da vida. Por exemplo, o intervalo de uma hora específica, seu correr leve, as coisas engendradadas, tudo que meu coração disto captura. Quando o vento passa sobre as águas, escuto as palavras que não sei dizer.

│Poema da Série “Palavra” – Autor: Webston Moura│

CAVALO

Eu te amo. Meu corpo sobe à palavra e transborda. Mas, meu corpo é matéria, quer transgressão. E transgressão é uma palavra-cavalo. Eu te amo, então, com todos os cavalos. As palavras, pois, quando te amo, diluem-se em arfares, gemidos e relinchos.

│Poema da Série “Palavra” – Autor: Webston Moura│

TEUS NOMES

Perdi-te, palavra, nome de mulher, que as cartas rasguei. Dei de perder-te, por necessitar. Quebrei os discos do Roberto Carlos e chorei o que pude num último choro.
Deixaste-me, ainda, um dicionário de arcanas pronúncias, palavras as quais não sei desmontar, tampouco dar uso.

│Poema da Série “Palavra” – Autor: Webston Moura│

VIDAS DESAMARRADAS

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Tânia Du Bois é cronista. Como tal, aparenta ser capaz de falar sobre qualquer assunto, tal é a facilidade de compreensão e de comunicação que se pode observar em seus textos. Todos podemos ver isso em “Amantes nas Entrelinhas”, "Exercício das Vozes”, “Autópsia do Invisível”, "Arte em Movimento", "Comércio de Ilusões", “O Eco dos Objetos” e, agora, neste “Vidas Desamarradas” (Projeto Passo Fundo, 2017). Leitora e observadora sagaz, segue o que não seria uma fórmula, mas um caminho, o de investigar, gentil, inteligente e honestamente, as escritas de outros, para então, apreciando-as, dizer suas (dela) impressões que, inevitavelmente, situam-se na interface literatura (ficção)-vida real. Tânia escreve bem e, ao que parece, em favor do que em nós clama por luz e entendimento.
SERVIÇO: Vidas Desamarradas (Crônicas) Tânia Du Bois Projeto Passo Fundo [Link: http://www.projetopassofundo.com.br/]

ESCREVIVÊNCIAS: LIVRO DE VIDAS IMAGINOGRAFADAS

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Escrevivências: livro de vidas imaginografadas é de autoria de Dércio Braúna e Joel Neto. Impresso sobre papel couchê fosco (miolo), tem capa dura e une imagens (por conta de Joel) e poemas nelas inspirados (por conta de Dércio). Trata-se de um trabalho de profunda sensibilidade sobre o cotidiano de pessoas simples do povo, pessoas “capturadas” em instantes que o fotógrafo e o poeta fazem aparecer aos nossos olhos (à nossa sensibilidade) de forma magnífica. O projeto foi contemplado no X EDITAL CEARÁ DE INCENTIVO ÀS ARTES 2015 (SECULT/CE) e realizado neste ano de 2017.
SERVIÇO: Escrevivências: livro de vidas imaginografadas Joel Neto e Dércio Braúna Deleatur Editorial Contatos: derciobrauna@bol.com.br joelnetor7@gmail.com

AGULHA REVISTA DE CULTURA #99 │ JUNHO DE 2017

Saiu a edição 99 da Agulha Revista de Cultura. O link geral é este: http://arcagulharevistadecultura.blogspot.com.br/2017/07/agulha-revista-de-cultura-99-junho-de.html.

TODOS OS INDÍCIOS

Medo, porque tudo conspira para tanto;                e horizonte outro não há senão                               este olhar em espreita,                                      este gesto contido,                                 este fechar de portas,                                      tantas precauções.
Medo, porque a vida anda a requerer ciência exímia, toda a técnica com que nos alertamos contra os males.
Dormir, sonhar, ter medo ainda aí. Acordar instigado, as mãos trêmulas ─ um barulho no telhado, serão os gatos?, um crucifixo na parede, o silêncio de pedra  ─, todos os indícios de que algo está suspenso no escuro.
Lá fora, o carnaubal geme.

│Poema da Série “Medo” – Autor: Webston Moura│

ESTRANHOS

Vigiamo-nos. Nada mais é natural. No perde-e-ganha, jogo insosso e agudo, sofremos. E, sós, não imaginamos saídas. Tocamo-nos, mas com a cisma de um estrangeiro                                 adentrado a uma terra estranha.
Nossas casas ─ lares não mais ─ guardam o torpor dos nossos corpos.
E o tempo escorre sua toda aridez no nosso sangue.

│Poema da Série “Medo” – Autor: Webston Moura│

AQUELE CÃO

Ao pé do portão, aquele cão de cismada figura a dormir. Quem sabe o que lhe passa ao coração?
Se me ponho de pé até com os móveis, não seria, pois, minha a cisma?
Não lembro outro tempo que não seja este, o do temor. Meu corpo adquiriu esse saber e o sabe com a mais fina destreza.
Aquele cão.

│Poema da Série “Medo” – Autor: Webston Moura│

O PIANO

Não sabe onde toca, dentro de si, o piano. Escuta-o, mas não com os ouvidos, e não uma só música, que há muitas tocando.
Sabe-se saudável; não se toma por delirante: pessoa de imaginação estendida e aberta, segue.
Como não encontra a porta que dê para o lugar do piano, tampouco o piano diretamente sobre seu nariz, procura.
Lembra-se ─ como não? ─ da casa incendiando-se, seus tios correndo, os vizinhos juntos, a rua acesa. No meio do fogo, ardendo severo, ia-se o piano. Faz tanto tempo, faz tanto tempo, faz tanto tempo.
Tanto tempo!

│Poema da Série “Objetos Perdidos” – Autor: Webston Moura│

O LIVRO

O Retrato de Dorian Gray nunca lido. E, por algum motivo, sempre este encontro desmarcado. Os anos se passando, o livro fechado, oculto em seu silêncio. Por algum motivo, o livro pairando, suas palavras guardadas. Ora, mas que motivo é este?!
A cada dia, a cada mês, a cada ano, o livro nunca lido desaparecendo, virgem desta vontade que não o alcança,                                            destes olhos que não o perscrutam,
                                                                                            sempre.
Objeto tocado, mas perdido, posto que não viajado entranhas adentro.
│Poema da Série “Objetos Perdidos” – Autor: Webston Moura│

A JARRA

Não sabe da jarra que falta, só de seu pacífico lugar.
Alguém a roubou? Todas as investigações chegaram a nada.
O que possui é a mesa vazia, a marca do fundo, a sombra agigantada de uma voz muda.
Quando relampeja, luzes apagadas, quase a vê, mas é ilusão. Comprasse outra, resolvido o problema. Mas, não! Adquirir um gosto pela busca, sabendo do perdido, é também aventura e, de certa forma, posse.
Se há quem ame carrancas, por que não amar uma ausência?
│Poema da Série “Objetos Perdidos” – Autor: Webston Moura│

INFINITOS DE MIM

Que esta folha em branco não me seja naufrágio. Preciso escrever uma carta, testemunhar o instante.
Marujo, deixo continentes encostados à espera. Trago sal às palavras, todas grávidas de viagens.
Ao mar, infinitos de mim.

│Poema da Série “Mar” – Autor: Webston Moura│