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Mostrando postagens de Agosto, 2016

UMA GRINALDA NO AR

O dia exibe um deserto: areia e pedra, infinitamente. O céu, nudez azul. Olhos nos faltam à sua magnitude. Solitário é o peregrino.
Longe, cidade vazia, rastro de parda criatura, uma ilha depois de todos os fins.
A palavra que a isto descreve, um arame estendido num zênite.
Dois antônimos pássaros e toda a luz demasiada.
Uma grinalda no ar, bailarina e veleiro.



│Autor: Webston Moura│ _______________________

LICOR E PENÍNSULA

Vazia a praça, as águas falavam. Uma praça azul: líquida e fêmea.
Como quem, depois de dez anos, retorna de alguma península esquecida, perdia-me no ir e vir, volteando ─
            ladrilho, ladrilho, chiclete, ladrilho,             ladrilho, moeda, ladrilho... A torre!
A igreja, a mesma; sua pintura, não. Do outro lado da rua, um bebê e uma mãe, os dois em remanso.
Ladrilho, água, ladrilho, água. Gosto de estar, depois de dez anos, volteando a música licorosa na carne, passado e presente, domingo e vazio.
Vazia a praça, porque para mim: marujo e azul, domingo e vazio.
Vazia a praça depois de dez anos, ladrilho e chiclete, licor e península.


│Autor: Webston Moura│ ______________________

ESMERALDAS FLUÍDAS

Eu nada tenho a ver com os homens que versam solilóquios de fins-de-mundo.



Correm as águas mansas, é madrugada. O riacho é a maturação de uma calma adquirida. Em seu cerne, as vidas de seres que falam as suas próprias línguas e exibem noites em seus corpos. Seus olhos são líquidos e suas escamas cintilam.
Correm as águas numa imaginada tela de Marc Chagall. Nela, sonha-se um andarilho que diz ter sido navegante de viagens agradáveis. Resta o carcomido casco de um barco, agora moradia de esmeraldas fluídas.
Em redor, árvores.


│Autor: Webston Moura│ _______________________