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Mostrando postagens de Abril, 2016

O ELO-ENCONTRADO

Não fará com que te solte Nada no mundo: me prende Que assim vence não se rende Nosso amor. Nós: és-me. Sou-te



Procuras-me? À procura estou dAquela Mulher-Síntese, a Múltipla (Cavala Lâmia Circe Vampira Generala Mãe Amiga Irmã Noiva Cinderela
Fêmea Amada) e Si-Mesma: desabala Meu ser e desintegra-se, esfacela- Se, entrega-se à Visão de Ti, a Bela Ante a qual já não sou: sou-Te; és-me; estala
O novo sermos em fusão; anulo O outro que fui, refaço-me Teu; Ela, A que foste, em mim transmudas; engulo-
Te, entranhas-me e anelados, em casulo, Elo, circumprojeto-Te; enovelas- Me, engravidas-me, ao passo que Te ovulo



................................ # Poema constante de "Miravilha: Liriai o campo dos olhos" (Confraria do Vento, 2015)

│Autor: Alves de Aquino, O Poeta de Meia-Tigela│

# LEIA TAMBÉM: ● LÁGRIMAS ROLANTES ● ASTARTE (ISHTAR) ● Viagem ao Centro do Nome ● O POETASSILGO ● A Noiva

Hálito de terra

Com as mãos infantis, desequilibrou minhas águas primitivas:
meu peixe de infinita candura.
Em seu lago de salgado gosto, renova oceanos quando chora e planta benquerenças nas bordas de meu rio.
Porque livre está de minhas areias, embora semente,                fruto
               e raiz.

............................. # Poema constante de "Milagreira" (Casarão de Poesia, 2011)

│Autora: Iara Maria Carvalho│


Iara MariaCarvalhonasceu em 1980, em Currais Novos, Seridó norte-rio-grandense. É graduada em Letras e mestra em Estudos da Linguagem, pela UFRN. Atua como agente cultural em sua cidade, através do Grupo Casarão de Poesia. Como poeta, venceu o 3º Concurso de Poesia Zila Mamede (Parnamirim/RN, 2006) e obteve a 3ª colocação no Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody (Curitiba/PR, 2010), dentre outros concursos.

LÁGRIMAS ROLANTES

I can’t goethe no



Tardinha passando Crianças brincando Vejo-as sorrir Mas não para mim Eu me sento e sinto                Lágrimas surgindo
Nem tudo tem preço Cantem eu lhes peço Só consigo ouvir A chuva cair Eu me sento e sinto                Lágrimas surgindo
O dia acabando Crianças brincando Como eu, nessa idade Acham ovidade Eu me sento e sinto                Lágrimas surgindo
Um-uumm-uumm-um...


................................. # Poema constante de "Girândola" (Substânsia, 2015)

│O Poeta de Meia-Tigela│

O Poeta de Meia-Tigela (Alves de Aquino), natural de Fortaleza-CE, 1974, participou em 2007, da Antologia Massanova – Poesia Contemporânea Brasileira. É autor de: Memorial Bárbara de Alencar & Outros Poemas (2008); Concerto Nº 1nico em Mim Maior Para Palavra e Orquestra. Poema: Combinação de Realidades Puramente Imaginárias [Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2010]; Miravilha – Liriai O Campo dos Olhos [Confraria do V

Dormir

Estou adormecido em sonhos recorrentes: o medo eleva meu corpo sobre o telhado                                e o sentimento                                da irrealidade                                suspende a ideia                                de estar avivado.
Sou na igualdade o trunfo oposto no aspecto do homem adormecido em si mesmo.




........................... # Poema constante de "Iguais" (Projeto Passo Fundo, 2013 - LINK: http://goo.gl/p8360A).

# LEIA TAMBÉM: ● SOBRE UVAS ● CONFISSÃO ● CIDADE ● PLANOS ● ÚLTIMO ● JANELAS ● TEMPO FUTURO ● MARES ● ASSIM


Pedro Du Bois, poeta e contista. Passo Fundo, RS, 1947. Residente em Balneário Camboriú, SC. Vencedor do 4º Prêmio Literário Livraria Asabeça, Poesia, com o livroOs Objetos e as Coisas, editado pela Scortecci Editora, SP. Tem publicado pela Corpos Editora, Portugal,A Criação Estética; Pela Sarau das Letras, Mossoró, RN,Seres; Pelo Projeto Passo Fundo,Brevidades,Via Rápida,Iguais eEm Contos; Pela Editora Penalux,O Senhor das Estátuas. Blog …

ESTIAGEM

I
Esta pele de peixe resseca ao sol
(quando levaram, daqui, o mar?)


II
Mas, vejam, sob o pó arrasta-se a respiração
No fundo do corpo encolhe-se a umidade


III
Vive ali um oceano vasto azul voraz
E, notem, a morte não soube o seu nome


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│Autor: Alberto Bresciani│ ____________________________

FLORES PARA COIMBRA

Que mil flores desabrochem. Que mil flores (outras nenhumas) onde amores fenecem que mil flores floresçam onde só dores florescem.
Que mil flores desabrochem. Que mil espadas (outras nenhumas não) onde mil flores com espadas são cortadas que mil espadas floresçam em cada mão.
Que mil espadas floresçam onde só penas são. Antes que amores feneçam que mil flores desabrochem. E outras nenhumas não.


...................................... # Poema constante de “30 Anos de Poesia” (Dom Quixote, 1997)

│Autor: Manuel Alegre│
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NO MERCADO DE SORRIDENTES AZÁFAMAS

Lobo do homem, o homem, desencontro de si: aflito; contristado e inquieto. Lobo do homem, o homem engenheiro do caos, cainçada estrídula abrindo caminho. Lobo do homem, o homem no limbo, à margem, velho pierrot alucinado.
Dorme, acorda, destrói. Dorme, acorda, destrói. Dorme, acorda, destrói.
De olhos lacrimosos, olhos de se amar, medos de se morrer, fomes de se chorar,                  o homem lobo do homem                  vaga sobre a Terra                  desde os tempos de antanho                  a estes dias de nunca.
(Que faço, armado de palavras-gérberas, ansioso e enguiço de poemas, entre homens lobos de homens? ─ pergunta o poeta à beira de si.
E lhe respondem com dinheiro & dias de saldo no mercado de sorridentes azáfamas).

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│Autor: Webston Moura│ __________________________

O RESULTADO DE TODOS OS DÍZIMOS

Somos escombros de mundos passados, sombras de pensamentos já havidos: no galpão abandonado, um menino transita, e não lhe vemos o rosto;            um pássaro sem nome voa                      por sobre sua cabeça e sai pelo oco do quebrado vitral                para o aberto da manhã                                (que se repete).
(Ontem, ecoava Magdalena Kozena enquanto os lírios se abriam de dentro das palavras de Nuno Júdice. Estávamos no vergel e éramos apenas nós. O futuro nos sorria, adiante, no obscuro dos nossos iluminados corações).
O espelho, amarescente oráculo, hoje nos exibe um rosto que nos trai ou que, em sua mais genuína verdade, nos revela o resultado de todos os dízimos. O tempo nos comeu o leopardo, o baobá, as mercês e o prazer de,
                    sem mais, dizer avelã,         mesmo que em dia nublado.


│Autor: Webston Moura│ _______________________

SOLITUDE

Um menino arcaico de sandálias cruas, a tanger carneiros no cimo da colina.

A primavera, escolha por escolha, sorri nos dorsos onde a luz incide e, devolvida em cores, abre o corpo das calêndulas.

Num tear, uma senhora de siso leve afeta de café e pão todos os reveses. Suas mãos dão de haver o que insistem                                                as coisas que,                                               sobre a Terra,                                         por belas e livres, insistem.

Não tão longe, o mar ressoa o homem ausente e náufrago, aquele que se desdisse sobre os rochedos                                             para nunca mais.


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│Autor: Webston Moura│ ________________________

ESCUTO O OUTONO CHEGAR

O silêncio, que é de ouro, guardo-o na prudência com que, entre homens, caminho. Vejo-os aflitos e sem escutas, olhos postos no horizonte, esperando a salvação ─ que não virá de suas algaravias. Assuntam a obscuridade que lhes toma, as esquinas suspeitas, o homem surgido de suas entranhas, este que não lhes convém.
Disseram-nos de um mundo futuro, do leite e do mel abundantes, de cítaras embalando albores, de sonhos os mais prestimosos. E o que temos para a ceia são engrenagens de tecer estapafúrdios, solilóquios em casas abandonadas, iras, choros, ressentimentos e uma paz de pouco linho. 
Por isso, o silêncio, que é de ouro, guardo-o em meu coração. E, no enquanto deste agora, escuto o outono chegar.

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│Autor: Webston Moura│ ______________________

POSSO O ERRO COMO SAUDÁVEL TRAJETO HUMANO

Dentro do sangue, as palavras não estão em ordem. Não há policiais gramáticas hierarquizando o desejo. Se me ponho nesta liberdade, posso a clorofila, o leopardo, o beijo, a montanha e o abraço. Posso a carne, que é meu templo saqueado e minha possibilidade de que haja o agora. Posso o erro como saudável trajeto humano. Não escreverei, pois, com os olhos vidrados e o medo insuflado ao grau de virtude.
Enquanto escrevo, conspiram outros pelo poder. E, no medo, rezam aos seus deuses petrificados. Coagem, deturpam, aniquilam ─ eis sua gramática! Dementes, não se sabem tais                  e, assim, não voam                  (quando pensam que sim).


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│Autor: Webston Moura│ ______________________

RUAS DE SEMPRE, ANDARES DE AGORA

Seu rosto, reconheci-o; já se me havia souvenir da China, a dança como que aragem de um corpo que se desloca dos outros, além; ano já ido. Agora, somas e subtrações efetuadas, sim, sei que é o mesmo rosto. Quem supunha o reencontro, este, a fala com o ritmo menos acentuado, o olhar ainda corso dentro do gris, as mãos que sabiam dos cristais de realgar e de meninices adocicadas?
E este, quem é? Crepusculário, Neruda.
Nenhum temor. E cravos, aromas vindos enquanto seguíamos ruas de sempre, andares de agora.

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│Autor: Webston Moura│ ______________________

Num dia branco

segura a borda da mesa com o cabelo vermelho vamos para a polônia                             ver a neve andava tão dispersa assim ele nunca conheceu a família com ganas de frio. sempre aquele movimento preciso ler outras coisas a frase cortada no mesmo ponto fresta de luz onde fala uma gargalhada assomada à janela quando o vê do outro lado da rua procurando o castelo.               cabelo curto, segura a ponta da mesa e mastiga as sílabas em sua língua.


..................................... # Constante de "20 poemas para o seu walkman" (7Letras)


│Autora: Marília Garcia│ _________________________

POR AMOR E GRAÇA

Esteja na duração do tempo.


Suponha um boi, o primeiro. Veja-o caminhar e recalcar o solo. Não o ajude com piedades humanas. Veja o pássaro catando no boi insetos hospedados em seu dorso. Distinga a geometria incerta que se expande quando olhos marejam. Rumine cem dias o milagre desta lembrança.
Acenda um fósforo, vele pelo ínfimo. saia do distúrbio.


│Autor: Webston Moura│ ______________________________