DESATINO



dentro de mim
uma caixa de sapatos
meia dúzia de pipas
um gibi

meu pai virou rio
deixou inventário

o que ficou
além da herança?







LUIZ OTÁVIO OLIANI nasceu no Rio de Janeiro e é graduado em Letras e Direito. Como poeta, está em 80 livros coletivos nacionais e alguns estrangeiros, além de 450 publicações entre jornais, revistas e alternativos. Tem poemas publicados e vertidos para o inglês, francês, italiano, espanhol e holandês, bem como textos ilustrados em projetos ligados às artes plásticas. Atuou na Revista Literária Sociedade dos Poetas Novos, SPN, de 2000 a 2003, tendo entrevistado grandes nomes da literatura brasileira. Participou do CD Poemas musicados por Maury Sant´Ana, volume 1 (2008). Recebeu 70 prêmios, dentre os quais se destacam: Moção de Louvor e Reconhecimento da Câmara Municipal do Rio de Janeiro (2011); o Troféu Honra ao Mérito do Clube em Revista, como Poeta destaque de 2012, na Rádio Bandeirantes, Rio, AM, 1360 (2013), Menção Honrosa, Prêmio Vicente de Carvalho, concedida pela UBE / RJ (2014) ao livro dos entre-textos; eleito também como “O Melhor livro do ano” pelo Clube de Trovadores Capixabas, no Espírito Santo, no mesmo ano. Em 2011, foi citado como poeta contemporâneo por Carlos Nejar no livro “História da literatura brasileira: da Carta de Caminha aos contemporâneos”, SP, Leya. Teve obra poética estudada em projeto acadêmico na Faculdade de Letras na Universidade Federal de Sergipe (UFS), com poemas publicados e ilustrados por estudantes de escolas públicas de Sergipe e Bahia no livro “De olho na poesia”, organização da Beto Vianna e  Christina Ramalho. Publicou cinco livros de poesia: "Fora de órbita", 2007; "Espiral", 2009, "A eternidade dos dias", 2012; “Luiz Otávio Oliani entre-textos”, 2013 e “Luiz Otávio Oliani entre-textos 2”, 2015. Perfil no Facebook: https://www.facebook.com/luizotavio.oliani.

Deixar a Mão



Percorrer-te o peito
Deixar a mão cegar
E caminhar o instinto
Como abelhas caminham na flor.

Beber dessa luz líquida
E esperar a morte dos dedos
Onde os lábios escreverão
A morada de todos os poemas.



JOAQUIM MONTEIRO – Nascido próximo da Régua. Feito a régua e esquadro, mas prematuro. Desenhador, músico, poeta, quando é lido. E Epicuro quando baste. Publica poemas no Facebook e publicou o livro de poesia “Na Tua Boca” (Editora Universus, 2011).

ENCANTAMENTO



no balde de juçaras
o homem busca
a água de que precisa

no terreno seco
procura o vento

encontra Deus

disfarçado de sabiá




LUIZ OTÁVIO OLIANI nasceu no Rio de Janeiro e é graduado em Letras e Direito. Como poeta, está em 80 livros coletivos nacionais e alguns estrangeiros, além de 450 publicações entre jornais, revistas e alternativos. Tem poemas publicados e vertidos para o inglês, francês, italiano, espanhol e holandês, bem como textos ilustrados em projetos ligados às artes plásticas. Atuou na Revista Literária Sociedade dos Poetas Novos, SPN, de 2000 a 2003, tendo entrevistado grandes nomes da literatura brasileira. Participou do CD Poemas musicados por Maury Sant´Ana, volume 1 (2008). Recebeu 70 prêmios, dentre os quais se destacam: Moção de Louvor e Reconhecimento da Câmara Municipal do Rio de Janeiro (2011); o Troféu Honra ao Mérito do Clube em Revista, como Poeta destaque de 2012, na Rádio Bandeirantes, Rio, AM, 1360 (2013), Menção Honrosa, Prêmio Vicente de Carvalho, concedida pela UBE / RJ (2014) ao livro dos entre-textos; eleito também como “O Melhor livro do ano” pelo Clube de Trovadores Capixabas, no Espírito Santo, no mesmo ano. Em 2011, foi citado como poeta contemporâneo por Carlos Nejar no livro “História da literatura brasileira: da Carta de Caminha aos contemporâneos”, SP, Leya. Teve obra poética estudada em projeto acadêmico na Faculdade de Letras na Universidade Federal de Sergipe (UFS), com poemas publicados e ilustrados por estudantes de escolas públicas de Sergipe e Bahia no livro “De olho na poesia”, organização da Beto Vianna e  Christina Ramalho. Publicou cinco livros de poesia: "Fora de órbita", 2007; "Espiral", 2009, "A eternidade dos dias", 2012; “Luiz Otávio Oliani entre-textos”, 2013 e “Luiz Otávio Oliani entre-textos 2”, 2015. Perfil no Facebook: https://www.facebook.com/luizotavio.oliani.

DECLARAÇÃO



Para vão em teu istmo,
não me queira!

Não me queira às línguas
de palavras sub-mínguas,
coisa que se curte e se compartilha,
como aceno ou panfleto,
nonada ou remédio.

Não me queira coisa-apenas,
objeto decomposto em
quimeras e poliéster.

Não me queira moda,
beijo wishy-washy,
cachorro de esquina,
fátuo-factoide.

│Autor: Webston Moura

O ERMO HOMEM DA CASA ABANDONADA


Em seu calabouço,
compõe e decompõe retratos.

(No silêncio,
uma samambaia
― que nada significa)

Haverá,
num breve futuro,
outro The Blue Flower
a se considerar?
Ou será matéria
para Criminal Minds?


│Autor: Webston Moura

ALTERNÂNCIA



O sapato pequeno conduz
à roupa apertada
e à camisa apodrecida
no cesto
- como a comida queimada
   e a cicatriz na perna
   reforçam a dor pela perda
   da pessoa amada -
no esquecimento tardio
a conta não paga atrasa
a oferta do banqueiro
em pesadelos diários
- remetido à alternativa
  incorreta do início.

(Pedro Du Bois, inédito)

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* Pedro Du Bois [Passo Fundo-RS, Brasil] - Poeta, contista, autor de Iguais (poemas), O senhor das estátuas(poemas), Os objetos e as coisas (poemas) Pedro Du Bois Em Contos (contos). Participa do Projeto Passo Fundo (http://www.projetopassofundo.com.br/), é membro da Academia Itapemense de Letras e do Clube dos Escritores de Piracicaba. Mantém o blog Pedro Du Bois - Poemas (http://pedrodubois.blogspot.com.br/) e reside atualmente em Balneário Camboriu-SC, Brasil.

As traças de Fortaleza


Que são traças? Segundo os dicionários, são insetos que corroem lã, tapetes, livros, papéis, dentre outras coisas. É óbvio que destas queremos distância. Jamais desejaríamos sua proliferação, não é verdade? Principalmente nós que conseguimos reunir algumas dúzias, ou até mesmo dezenas de livros – e deles cuidamos com extremado zelo – fugimos dessas como o demo da cruz.

Mas, existem outras traças... Na bela capital cearense, um Clube de Leitura possui o sugestivo nome de “As Traças”. Não contrataram marqueteiro, mas acertaram na mosca, pois para batizar uma reunião de devoradoras de livros, nada mais apropriado do que o nome sugerido. Como funciona? É simples: em encontros mensais, elas comentam suas leituras e trocam impressões com os demais membros do grupo. Que beleza, hein?

Tudo começou há dez anos, com a brilhante idéia das amigas Anete Gomes e Lúcia Lustosa Martins que, levadas pelo desejo desta última em partilhar sua biblioteca particular, resolveram promover reuniões com outras tantas amigas, de maneira que pudessem, juntas, viajar, sonhar, viver e crescer através da leitura. E vejam que belo resultado!

Atualmente, o Clube é constituído de quarenta sócias que se reúnem numa determinada segunda-feira do mês. A confraria está dividida em equipes que receberam os nomes de escritores/poetas famosos. Mensalmente, um desses grupos é responsável pela reunião, promovendo a apresentação de temas ligados, preferencialmente, à literatura, através de palestrantes convidados ou de exposição feita pelo próprio grupo.

Após as reuniões, é servido um pequeno lanche e, em clima de descontração, as “traças” se confraternizam. Elas também compartilham datas significativas, como os festejos juninos e as festas natalinas, contando com a presença de familiares e amigos pertencentes a outros movimentos literários.

O Clube dispõe de uma biblioteca instalada em sua sede, que conta com considerável acervo. São livros doados, em sua grande maioria, pela sócia fundadora Lúcia Lustosa e, também, por doações de outras sócias e de amigos ou, ainda, adquiridos pelo próprio Clube. Afinal de contas, para sobreviver, traças precisam sempre de livros por perto.

Não se faz necessário que sejam escritoras para admissão como sócias. Todavia, como todas são boas leitoras e, pelo fato de gostarem de ler, isso logo suscita, inexoravelmente, o prazer da escrita. Dessa forma, não é de difícil dedução que, vamos encontrar entre elas, poetas e prosadoras, cujos títulos já desfilam pelas melhores estantes do Ceará e alhures. Podemos citar, como exemplo, o poético livro intitulado Meus Amores, de autoria de Lúcia Maria do Monte Frota de Moura – mossoroense radicada em Fortaleza – e o Poltrona Azul, de Dulce Cavalcante, recentemente lançado.

Quando soube da existência das “traças”, e de sua movimentação, fiquei pensando como seria bom se cada um de nós tivesse a oportunidade de participar de um “grupo de leitura”, ou de algo similar. E melhor seria que essas iniciativas proliferassem pelas cidades com a mesma força e pujança de tantas idéias maléficas e de tantos grupos iníquos que, infelizmente, surgem. Certamente se isso ocorresse, alavancaríamos a literatura para alturas inesperadas... Talvez ainda exista um ou outro questionamento, principalmente em relação ao tempo pessoal, para participar de uma atividade assim. Mas, recordo-me de um ensinamento religioso: tempo é questão de preferência.

Vivam as Traças!!! E que se multiplique a sua benfazeja faina devoradora!!!



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David de Medeiros Leite (Mossoró-RN, 1966) é doutor em Direito Administrativo pela Universidade de Salamanca (Espanha), membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN), do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP), da Academia Maçõnica de Letras do Rio Grande do Norte (AMLERN) e da Academia Mossoroense de Letras (AMOL). Dentre outros, é autor de: Companheiro Góis – Dez Anos de Saudade (2001); Ombudsman Mossoroense (2003); Incerto Caminhar (2009); Cartas de Salamanca (2011) e A Casa das Lâmpadas . A presente crônica foi extraída de Cartas de Salamanca.

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POEMA PARA QUEM AMAREI III



Comprei-te um neruda
E dois garcía lorcas.
Espero que as páginas,
Mismo amarillas,
Possam lamber
Tuas criaturas solitárias,
E convidar-te,
Em español caliente,
A nosso lugar.


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# Poema constante de Dissonante (Sarau das Letras, 2014)




Leonam Cunha nasceu em Areia Branca/RN e, atualmente, reside em Natal/RN. É graduado em Direito pela UFRN e publicou, em 2012, pela Sarau das Letras, seu primeiro livro de poesias, intitulado Gênese.
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lendo o caminho




Aromas inanimados
Conduzem a alma
Enquanto, de longe, farejo a doce fumaça que sobe.
O tempo segue em espiral de Luz
Refazendo planos e redirecionando a rota.
Serena, sinto o cheiro do nada adiante
E recrio, calada,
Novos perfumes em preto e branco.






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# Poema constante de rumo norte (Prêmio Otacílio de Azevedo).


Natércia Rocha nasceu em 1971, em Fortaleza, foi criada em Juazeiro do Norte, mas suas raízes estão na região Norte do Ceará. Fez parte da segunda turma da Escola de Dramaturgia do Museu da Imagem e do Som (MIS), na década de 90, sob direção do cineasta Orlando Senna, e é formada em Jornalismo pela Universidade de Taubaté, Vale do Paraíba, em São Paulo. É também autora de Contos de ir embora (Edições Demócrito Rocha).

POEMA DE PEDRO DU BOIS


Busca na estátua o significado
encravado pelo artífice: a dor
a fertilidade
o coroamento
a desfaçatez
a guarda do corpo
decomposto em tempo.

Rebuscada em sua esterilidade
a estátua traduz o despropósito
de ser tomada como referência.



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# Poema de número "L". Consta na página 77 de um livro muito bem trabalhado, como é comum ao autor. Chama-se O Senhor das estátuas (Editora Penalux, 2013) - clique aqui [http://goo.gl/2Shk6b]



Pedro Du Bois [Passo Fundo-RS, Brasil] - Poeta, contista, autor de Iguais (poemas), O senhor das estátuas(poemas), Os objetos e as coisas (poemas) Pedro Du Bois Em Contos (contos). Participa do Projeto Passo Fundo (http://www.projetopassofundo.com.br/), é membro da Academia Itapemense de Letras e do Clube dos Escritores de Piracicaba. Mantém o blog Pedro Du Bois - Poemas(http://pedrodubois.blogspot.com.br/) e reside atualmente em Balneário Camboriu-SC, Brasil.