Inexistência


Busco no calendário o inexistente
e escuto o vento rodear a casa.
Empunho a arma doutrinária
da elasticidade com que distâncias
se fecham em notícias. O dia
anunciado no regredir do ano.
A estrela apanhada em rituais.
Uno a finalização dos destinos
e do interior da casa escuto
a ordem de retorno. O vento
cessa a busca por enquanto.



│Autor: Pedro Du Bois
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# Poema constante de Iguais (Projeto Passo Fundo, 2013)

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* Pedro Du Bois [Passo Fundo-RS, Brasil] - Poeta, contista, autor de Iguais (poemas), O senhor das estátuas(poemas), Os objetos e as coisas (poemas) Pedro Du Bois Em Contos (contos). Participa do Projeto Passo Fundo (http://www.projetopassofundo.com.br/), é membro da Academia Itapemense de Letras e do Clube dos Escritores de Piracicaba. Mantém o blog Pedro Du Bois - Poemas(http://pedrodubois.blogspot.com.br/) e reside atualmente em Balneário Camboriu-SC, Brasil.
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BREVE MAPA DE UMA TERÇA-FEIRA

nenhuma data rezinga na solidão de agora,
exceto a que, tarde de chuva e barcos de papel,
pronuncia o menino que fui e que em mim continua.

                   (o amarelo das fotos me tinge)

lá fora, um inchaço a que chamamos cidade:
                caminhos e labirintos; dinheiro.

sob esta goiabeira, a sol resistida,
com um arisco azulão a saltar,
sou remorso quase alegre, quase melancólico,
e penso: é preciso deflagrar o bálsamo.



│Autor: Webston Moura
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NOTA:
I. Os versos em negrito e itálico constam, respectivamente, dos meus poemas "Alma de lacrau",  "Cascas do sono" e "Bálsamo violento" (Encontros imprecisos: insinuações poéticas; 2016)
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[É por ti que se enchem os rios]

É por ti que se enchem os rios
de carpas azuis,
de águas que querem saltar
pela minha janela.
Como é belo este silêncio ilimitado
quando nas copas redondas das árvores
o teu nome me chama.
Pedi-te que apagasses a lua
e que nos campos tacteando te encontrasse.
Sei-te na aurora, por isso não temo
e agora a lanterna dos dias pode
por fim ficar em ventos de abraços.
Voam aves dentro dos teus sonhos
como memórias de pétalas acordadas.
Ficas ancorado dentro do meu tempo.
Não há saudade nem solidão
que se não derrube.





│Autora: Lília Tavares
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# Poema constante de PARTO COM OS VENTOS, Prefácio de Carlos Eduardo Leal, Ilustrações a partir de esculturas de arame, por Simone Grecco (Kreamus, 2013)

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Lília Tavares (1961)  é psicóloga clínica, há 24 anos a trabalhar na reabilitação de jovens e adultos. Casada e mãe de dois filhos, frestas de luz que a vida lhe deu. Unida à Poesia desde os treze anos, publicou em 1979 Fusão Crepuscular e outros Poemas em edição de autor. Participou, a convite, numa antologia de poetas do Baixo Alentejo, dois anos mais tarde. Natural de Sines, traz consigo o aroma das marés vivas de Setembro. De extremos, ama o aroma das terras, o sol, as alfazemas em Junho. Criadora e co-autora da Página "Quem lê Sophia de Mello Breyner Andresen"Lília é co-autora da Página "Poesia com Artes" e, neste âmbito, realiza  Encontros de Poesia e Artes em Oeiras. Tem criado eventos, prefaciado,  participado e/ou apresentado diversos livros de poesia de outros autores. Participou com outros onze autores em Rio de Doze Águas (Coisas de Ler, 2012), antologia prefaciada por Joaquim Pessoa. Publicou Parto com os Ventos (Kreamus, 2013), prefaciado por Carlos Eduardo Leal, RJ, e ilustrado com esculturas de arame de Simone Grecco, SP. Ama as pequenas coisas. Prende o olhar numa lágrima, num amigo, numa estrela.
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