COISA AMAR




Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como dói

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

(1976)


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# Poema constante de Coisas do Mar (Perspectivas e Realidades; Lisboa, 1976)
# Poema replicado da página Quem lê Sophia de Mello Breyner Andresen (Clique AQUI)


│Autor: Manuel Alegre
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